Pobre Brasil da casa grande e da senzala

Tenho pena das futuras gerações no nosso infeliz país que irão pagar pelos desatinos desse povo inerte e imbecilizado

A apatia de grande parte do povo brasileiro diante do futuro sombrio que ameaça o nosso País, em contraponto à ensandecida agressividade de uma extrema direita fanatizada, lembra a situação vivida na Alemanha e Itália da década de 30 e início da de 40 do século passado, que praticamente aniquilou os dois países, notadamente a Alemanha nazista. Por sorte dela, a Itália mudou de lado ainda em tempo.

Lembremo-nos o que documenta a história, quando turbas de nazistas, ensandecidas pela liderança patológica de Adolf Hitler, queimavam livros e obras de artes, incendiavam lojas de judeus, denunciavam pessoas à Gestapo, levando-as aos campos de concentração e posterior extermínio, simplesmente por se oporem à doutrina Nazista e a alardeada “superioridade” da raça ariana.

Derrotado o nazismo, a quase totalidade desses mesmos alemães, paradoxalmente, dizia desconhecer a existência dos campos de concentração e os extermínios em massa perpetrados pelo regime totalitário.

No Brasil de hoje, enquanto são registrados protestos monumentais no Chile, Equador, Londres, Hong Kong e Barcelona, nosso povo, deitado em poético berço esplêndido, se mantém indiferente, enquanto seus direitos básicos – trabalhistas, previdenciários, saúde pública e humanos de modo geral – lhes são tirados, numa conspiração criminosa entre Executivo e Legislativo, com a complacência de um Judiciário acovardado e politizado.

Também, ninguém reage quando o que resta do nosso patrimônio é entregue a preço de banana aos grandes grupos econômicos, incluindo a descarada entrega da Embraer, a Base de Alcântara e o pré-sal aos americanos, sem nenhuma contrapartida.

Tenho pena do povo brasileiro por sua parvoíce e imbecilidade, responsável atavicamente, dentre outros atos desastrosos, pela eleição de figuras como Jânio Quadros, Fernando Collor, Paulo Maluf, dentre outros, culminando com condução de um capitãozinho farsante, à presidência da República.

Tenho pena das futuras gerações no nosso infeliz país que irão pagar pelos desatinos desse povo inerte e imbecilizado.

O que me alenta é que meus descendentes imediatos estão tendo acesso a uma educação primorosa, que os habilitará a enfrentar um mercado de trabalho cada vez mais seletivo, infelizmente, porém pouco acessível à maioria das famílias brasileiras, impossibilitadas de pagar para seus filhos faculdades particulares, cujas mensalidades chegam à espantosa cifra dos 15 mil reais.

Para aqueloutros, impossibilitados de assumir tais despesas, sobrará um ensino público cada vez mais aviltado pela ação criminosa e intencional deste governo neoliberal com o qual fomos presenteados.

Aliás, é essa justamente a intenção das elites de extrema direita: dificultar ao máximo o acesso do povão às escolas, pois, quanto mais sem educação, menos politizado e muito mais fácil de ser tocado como gado.

A eles (povão) restará permanecer na senzala, enquanto as elites continuarão a imperar do alto da casa grande. Pobre Brasil, escravo da casa grande e na senzala.

Fonte: Carta Capital

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *