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Ocupação na zona leste de São Paulo se organiza para resistir a reintegração de posse

Prefeitura dá prazo até dia 22 para desocupação do Viaduto Alcântara Machado, na Mooca, mas moradores querem auxílio-aluguel e cadastro habitacional para saírem

São Paulo – A justiça de São Paulo determinou a reintegração de posse da ocupação Viaduto Alcântara Machado na zona leste de São Paulo, região da Mooca. As famílias que ocupam o espaço aceitam sair sob a condição de recebimento de auxílio aluguel e cadastramento para atendimento habitacional. Mas a prefeitura não deu uma resposta e os moradores garantem: se não houver direitos, haverá resistência.

Debaixo do viaduto moram 250 pessoas, mostra a reportagem de Jô Miyagui na edição do Seu Jornal desta segunda-feira (13), na TVT. Além de abrigo, as pessoas têm banheiro, lavanderia, biblioteca e cozinha, onde se alimentam cerca de 120 pessoas por dia. No total, entre 300 e 400 pessoas usam diariamente a estrutura.

Nelson Vital Silva faz bico de ajudante geral e saiu de casa depois de se separar da mulher. Ele considera o espaço importante para quem está em situação de rua. “Aqui é assim, todo mundo junto, aqui é um lugar bom”, afirma.

Em setembro, uma parte do viaduto que estava ocupada pegou fogo. Agora, temendo novo incêndio, a prefeitura quer a reintegração de posse da área que ainda está ocupada. A Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo deu um prazo até o dia 22 para que os moradores desocupem o viaduto voluntariamente, mas eles reclamam que a prefeitura não deu nenhuma alternativa e nem o auxílio aluguel de R$ 400.

O cozinheiro desempregado Marcos Robson garante que se não houver proposta concreta, eles não saem. “Nós temos a convicção da resistência”,  afirma. “Temos que lutar, porque se a gente não lutar por ter um pouco de dignidade, então, nós seremos fracos, mas nós vamos resistir.”

Sabendo da possibilidade de reintegração de posse, o ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica mandou uma palavra de solidariedade. “Lutem procurando alternativas. Não se esqueçam que ainda dentro da máxima pobreza devem ser companheiros de seus amigos”, disse o ex-presidente.

O sociólogo Paulo Escobar afirma que a prefeitura já fez cadastro diversas vezes mas nada foi feito. Ele desconfia que a prefeitura quer conceder o espaço para iniciativa privada e atender a pressão do mercado imobiliário. “A gente ouve falar sobre isso sim. Você tem a família Comolatti no prédio em frente, que tem vários empreendimentos aqui na região da Mooca. Você tem um condomínio sendo levantado. E tem a questão dos viadutos. O curioso dos viadutos para iniciativa privada é que eles querem passar isso para pessoas que vão cozinhar em restaurantes e food truck, sendo que aqui quando era espaço de assistência eles diziam que era insalubre para a população de rua. Mas para o empreendimento privado não é insalubre. São essas as contradições, mas provavelmente a iniciativa privada deve estar por trás”, avalia.

Catador de materiais recicláveis, José Antônio Aguiar acredita que se houver reintegração de posse a maioria ficará na rua por falta de alternativa. Ele lamenta a decisão da prefeitura. “Tem família, tem criança, tem tudo e aí vamos ficar jogados na rua? Tem que ter uma moradia digna, porque as pessoas aqui não são ruins, tem trabalhadores. Nessa vida que a gente está levando aqui é porque não tem lugar para ficar. Nós queremos um apoio, uma ajuda para as famílias”, defende.

Confira a reportagem da TVT:

REGISTRADO EM: JÔ MIYAGUIMOOCAMORADIA DIGNAOCUPAÇÃO ALCÂNTARA MACHADOSÃO PAULOSEU JORNALTVT

Fonte: RBA

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