Governo da Nicarágua é acusado de ocultar contágios e mortes por coronavírus

Oficialmente, o Ministério da Saúde reconhece apenas 25 casos de infecção por covid-19, e 8 mortes, mas alguns meios denunciam uma onda de sepultamentos noturnos que indicariam outra realidade

Pessoas em frente à entrada de um cemitério, na Nicarágua (foto: Noel Miranda)

A pandemia do novo coronavírus também chegou à Nicarágua, como em quase todo o mundo. Porém, a realidade do surto nesse país é algo difícil de saber, já que é difícil confiar nos números apresentados pelas autoridades.

Segundo o Ministério da Saúde do país, há somente 25 casos oficiais de pessoas infectadas com covid-19, com 8 mortes, 7 pessoas recuperadas e 10 casos ainda ativos. Além disso, o presidente Daniel Ortega assegura que “todos os casos são importados, nenhum aconteceu internamente”.

Seria um dos exemplos mais bem sucedidos do mundo, mas a verdade é que muito difícil acreditar nesses números. Um dos indícios de que essa realidade seria falsa é que alguns meios estrangeiros denunciam uma onda de sepultamentos noturnos nas últimas semanas, que seriam de possíveis vítimas da doença que não estão sendo registradas nos números oficiais.

Além disso, diferente do realizado por países latinos que também tem cifras muito baixas, como Venezuela e Paraguai, a Nicarágua não realizou uma quarentena rígida nem aumentou sua capacidade de profissionais de saúde.

Muito pelo contrário, a postura de Ortega desde o começo da pandemia não tem sido muito diferente da de Jair Bolsonaro. O mandatário nicaraguense não chegou a chamar a covid-19 de “gripecita”, mas vem afirmando que ela “não tem como se alastrar em nosso país, como na Europa e nos Estados Unidos, porque as condições climáticas e de ambiente não permitem”.

Apesar dessa  suposta “falta de condições”, um grupo de cinco observadores ligados à OPS (Organização Pan-Americana de Saúde) que visitou o país em meados de abril produziu um informe no qual dizia que o país tem pelo menos 780 casos de infectados pelo coronavírus, que foram registrados como casos de pneumonia.

O documento também afirma que havia 88 mortes por covid-19 na Nicarágua até aquele então.

Fonte: Revista Fórum

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