Moro é ‘extremamente limitado e sem escrúpulos’, diz Nassif, do GGN

São Paulo – O premiado jornalista Luis Nassif, editor do Jornal GGN, foi o entrevistado de Juca Kfouri no programa Entre Vistas desta semana, na TVT. Nassif conta que o nome do site veio do primeiro jornal feito por ele, ainda aos 13 anos: o Gente Nova, de um grupo ligado à igreja católica, em Belo Horizonte. “Uma das integrantes era a Dilma (Rousseff). O GGN marcou muito nossa geração”, lembra. E, comenta Juca Kfouri, o Grupo Gente Nova expandiu sua área de atuação na semana passada ao lançar um documentário, que já tem mais de 200 mil visualizações. “O documentário Sergio Moro, a Construção de um Juiz Acima da Lei, trabalho do Nassif com o jornalista Marcelo Auler”, apresenta Kfouri.

O filme mostra a trajetória de um ex-juiz, ex-ministro da Justiça e hoje advogado de uma empresa norte-americana que cuida do espólio da Odebrecht. “Uma coisa fantástica que só acontece no Brasil”, ironiza. Segundo o apresentador do Entre Vistas, o trabalho trata da constatação de como alguém, entre outras coisas juridicamente ignorante, chegou aos postos que chegou.

“Fomos buscar as pessoas que conviveram com ele na adolescência, no início do curso dele de Direito. E o que se vê é um sujeito extremamente limitado”, descreve o editor do GGN, sobre a pesquisa feita para a produção do filme. Ao analisar o método de atuação de Moro, Nassif afirma que há uma dose de ressentimento do ex-juiz contra quem o esnobou ao longo de sua trajetória. E sua história torna esta edição do Entre Vistas com Luis Nassif imperdível para quem quer entender um pouco mais sobre o que representaram Moro e a Operação Lava Jato para a derrocada da economia brasileira e da soberania nacional.

Falta de escrúpulos

Para Luis Nassif, o que Moro tinha a mais que os outros, para se tornar quem se tornou, é a “total falta de escrúpulos”. Em resposta à técnica do Dieese Adriana Marcolino, sobre a perseguição de Moro a figuras da política nacional e os consequentes efeitos negativos sobre a economia e soberania brasileira, Nassif foi incisivo. “Millôr Fernandes tinha uma frase célebre: entre um burro e um canalha não passa o fio de uma navalha”, comparou. “Quem comete crime não é a empresa, é o empresário”, disse, destacando que seria possível ter aplicada super multas sobre as controladores das empresas denunciadas por corrupção na Operação Lava Jato. “Era a coisa mais óbvia do mundo. No GGN batemos insistentemente nisso.”

O jornalista aborda também a questão geopolítica em torno da Lava Jato. “Qualquer tentativa de criar alternativas para a sobrevivência das empresas, eles (os procuradores da Lava Jato) torpedeavam”, denuncia. “E a imprensa comprava sem pensar nem raciocinar. Quando você pega a Eletrobrás, teve um conjunto de fatores. O interesse americano no pré-sal, a concorrência com as empreiteiras brasileiras na África. Era nítido que tudo isso estava envolvido”, observa, sobre o interesse norte-americano nos rumos da Lava Jato.

“Cooptaram procuradores com duas cenouras: dando informações para que ficassem poderosos e desestabilizassem governos. A segunda, dando uma porta de saída lá adiante, que é a possibilidade de trabalhar com grandes escritórios de advocacia envolvidos com compliance. E é o que Moro está fazendo”, critica. “Houve esse componente geopolítico mais de uma vez. Não se sabe se foi por ignorância de um bando de provincianos deslumbrados ou se foi intencional”, diz Nassif, sobre os procuradores.

Hacker salvador

Nem o Alfred Hitchcock. Assim Nassif define o episódio do hacker Walter Delgatti que captou as mensagens trocadas entre Moro e os procuradores da Lava Jato. As mensagens foram entregues ao Intercept, que as divulgou na série de reportagens da Vaza Jato. E agora estão sendo reveladas pela Operação Spoofing da Polícia Federal. “A história do país vai agradecer a esse rapaz?”, questiona Juca. “Muito”, responde o editor do GGN. “A maneira como Delgatti entrou nisso é inacreditável.”

O hacker, conta Nassif, é um sujeito hiperativo, com problemas emocionais, que sofre uma ação policial. “Invadem a casa dele em Araraquara e levam tudo. Junto, uma caixa de remédios que ele tomava. E daí acusam ele de tráfico de entorpecentes. Ele fica preciso por meses, junto com traficantes. Tinha um Dallagnol e um Sergio Moro lá”, compara o jornalista. O hacker, em sua defesa, leva médico e farmacêutico e prova que houve manipulação do relatório do promotor que multiplicou as caixas de remédios para caracterizar tráfico. E o juiz o condena a um de prisão porque acharam nas coisas dele uma carteirinha de estudante vencida. A acusação passa a ser uma improvável falsificação desse documento para que a pena batesse com o período que Delgati já estivera preso. “Todo padrão Lava Jato no ambiente de uma cidade do interior.”

O hacker invade as redes do juiz e do promotor para provar que era inocente. “Vai de um para outro. E quando chega no Dallagnol ele pensa: estão fazendo com esse cara o mesmo que fizeram comigo. Quem é esse cara: o Lula”, relata Nassif, o editor do GGN. “Nem um filme de ficção. Parece mão divina para impedir o Brasil de cair na pior das ditaduras.”

Fonte: RBA

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