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Início Capa Renato Câmara defende lei para conter desmatamento no Pantanal
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Renato Câmara defende lei para conter desmatamento no Pantanal

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msatual
-
10 de agosto de 2023
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    Renato Câmara presidente da Comissão Permanente de Meio Ambiente da ALEMS (Foto: Igor Silva)

    Construir lei ambiental
    específica, que proteja o Pantanal, reduza o desmatamento e respalde a
    fiscalização, aliando preservação e produção, está entre as prioridades da
    Comissão Permanente de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso
    do Sul (ALEMS). O grupo, presidido pelo deputado Renato Câmara (MDB), se reuniu
    nesta quarta-feira (9), no plenarinho da Casa de Leis, para debater denúncias
    de crimes ambientais, nos municípios de Aquidauana e Corumbá.

    Na reunião, que contou com
    a presença de outros dois deputados da Comissão, Zeca do PT e Lucas de Lima
    (PDT), também foram apresentadas minutas de projetos sobre o ICMS Ecológico e o
    Fundo Estadual dos Recursos Hídricos (FERH).

    “O Pantanal é muito
    diverso e nós não temos uma lei que afirme, por exemplo, ‘aqui inunda’, ‘aqui
    não pode ser desmatado’. Precisamos de uma lei que possa contemplar as nuances,
    as especificidades do nosso meio ambiente, do nosso Pantanal, que discuta sobre
    o desmatamento”, disse Renato Câmara.

    Ele acrescentou que uma
    normativa com esses detalhamentos poderá fundamentar melhor as ações de
    fiscalização do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). “Não
    se trata de proibir a plantação de soja, por exemplo. O que devemos fazer é
    buscar um ponto de equilíbrio entre preservação ambiental e aumento da
    produtividade”, disse.

    O debate sobre a produção
    agrícola sem atenção ao meio ambiente esteve presente na denúncia feita por
    Ivete Carreras Pires, presidente da Associação Quilombola de Furnas dos
    Baianos, em Aquidauana. De acordo com ela, o Córrego das Antas está secando, em
    decorrência da degradação de terra para o plantio de soja. “A gente faz muito
    uso desse córrego, na produção de mandioca e farinha”, disse, referindo-se à
    principal fonte de receita dos moradores da comunidade.

    A produtora rural também
    alertou para o alto risco do Córrego das Antas morrer. “Esse riacho só não
    morreu ainda, por conta das nascentes. Não tem mais peixe como antes. Havia
    muito piraputanga, agora só tem lambari. E isso também está afetando o turismo,
    que é outra atividade importante que temos lá”, acrescentou. Segunda ela, o
    problema se relaciona à plantação de soja, que ocupa uma extensa área. “Nosso
    córrego está ficando cada vez mais assoreado. E o motivo disso é uma plantação
    gigante de soja acima da serra”, afirmou.

    O diretor-presidente do
    Imasul, André de Araújo, que participou da reunião, afirmou que órgão fez
    vistoria na propriedade de produção de soja, mencionada por Ivete Pires, e
    autuou o proprietário pelo desmatamento ilegal de 21 hectares. Ele acrescentou
    que, além disso, há outro instrumento que poderá ser usado contra esse produtor
    e outros que desrespeitam normas ambientais: o embargo. “Eu me comprometo a
    retornar com a equipe de fiscalização lá para verificar se há projeto de manejo
    de conservação do solo e caso isso não seja demonstrado, a atividade será
    embargada”, assegurou.

    Falta de água

    Na reunião, também foi
    discutida denúncia sobre a falta de água no Assentamento São Gabriel, em
    Corumbá. Conforme a denúncia, as 270 famílias da comunidade estariam sem água,
    porque os poços secaram, devido a impactos provocados pela atividade de
    mineração. O problema, que havia sido discutido na reunião anterior da
    Comissão, realizada em junho, foi encaminhado à Secretaria Estadual de Meio
    Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

    O coordenador de Mineração
    da Semadesc, Eduardo Ovelar Pereira, disse, como devolutiva à demanda, que o
    problema da falta de água na comunidade não se relaciona à mineração, realizada
    no Morro do Urucum, mas sim ao calcário. “Esse assentamento, adquirido pelo
    Incra em 2005, sempre sofreu com a falta de água. E isso acontece porque foi
    instalado sobre uma área de calcário. O granito vai para baixo do maciço de
    calcário. E pode chegar até 300 metros de calcário. E as rochas calcárias retém
    água. Então, é possível encontrar alguns bolsões de água, que se secam na
    estiagem. Aí o nível hídrico da região baixa e não dá para penetrar nesse
    granito, onde teria água melhor, que é doce e não salobra. A solução é fazer
    poço com profundidade mínimo de 800 metros para alcançar uma água saudável”,
    explicou.

    O deputado Zeca do PT
    apresentou outra alternativa para tentar resolver a questão da água no
    assentamento São Gabriel: a dessalinização. “O problema lá é a falta de
    qualidade da água. Tem poços de perfuração, mas a água é absolutamente
    intragável. Até para os animais. Eu tenho conversado com a Agraer. Nós estamos
    pesquisando a possibilidade de colocar dessalinizadores nos poços. Esse
    aparelho não é caro e melhora 98% a qualidade da água”, propôs o
    parlamentar.

    Legislação ambiental

    Na discussão sobre o
    avanço da legislação ambiental, há duas propostas, cujas minutas foram
    apresentadas na reunião. A primeira é um projeto que altera a Lei 4.219/2012,
    para incluir a exigência de que os municípios possuam um Zoneamento Ecológico
    Econômico (ZEE) para recebimento do ICMS Ecológico. O estabelecimento dessa
    medida para a distribuição aos municípios da receita do Imposto sobre
    Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), obriga os gestores a
    implementarem um ZEE, segundo pontuou o deputado Renato Câmara.

    A outra minuta diz
    respeito a decreto que regulamenta a organização e a operacionalização do Fundo
    Estadual dos Recursos Hídricos (FERH). O objetivo é assegurar suporte
    financeiro às ações relativas à Política Estadual de Recursos Hídricos.

    Lei do Pantanal e COP 30

    Os deputados integrantes
    da Comissão e os demais participantes da reunião concordaram quanto à
    necessidade de avanço da legislação, que contemple as especificidades do
    Pantanal, combata o desmatamento e proteja o bioma, com atenção à produção
    sustentável. A proposta é de criação de uma lei geral do Pantanal, que
    considere suas particularidades e as características de suas regiões. 

    Este assunto será
    discutido no próximo encontro da Comissão, no dia 15 de agosto. Também será
    tratado, no encontro da semana que vem, sobre a busca de uma agenda com a
    ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, para que a ALEMS possa participar da
    Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), a ser
    realizada em 2025, em Belém, no Pará.

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