Confusão durante a CPMI doI INSS (Foto: Reprodução/TV Senado)

Restrições e clima político reduzem volume de empréstimos com desconto em benefício previdenciário e alteram dinâmica do mercado de crédito

O volume de empréstimos consignados destinados a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrou forte queda ao longo de 2025. Dados apresentados em relatórios do Banco Central mostram que as concessões recuaram de R$ 9,71 bilhões em janeiro para R$ 5,11 bilhões em dezembro do mesmo ano, indicando uma retração expressiva no acesso ao crédito com desconto direto no benefício previdenciário.

As informações divulgadas com base em dados do Banco Central do Brasil indicam que o movimento coincide com o aumento do debate político em torno do tema no Congresso Nacional, especialmente com a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que apura fraudes em descontos associativos, e mudanças operacionais que passaram a afetar a liberação do consignado para segurados da Previdência.

Queda nas concessões ao longo do ano

O gráfico de concessões mensais mostra que, após atingir R$ 9,71 bilhões em janeiro de 2025, o volume de empréstimos para beneficiários do INSS passou a apresentar retração contínua ao longo do ano. Em fevereiro, o montante caiu para R$ 8,8 bilhões e seguiu diminuindo até chegar a cerca de R$ 3,1 bilhões em maio, período em que o mercado registrou o menor nível de concessões.

Nos meses seguintes houve recuperação parcial, mas os valores permaneceram abaixo dos níveis observados no início do ano. Em dezembro, as concessões ficaram em aproximadamente R$ 5,11 bilhões.

Segundo dados apresentados nos relatórios de mercado, o volume de operações de crédito consignado para aposentados e pensionistas registrou retração mensal de 7,5% e queda acumulada superior a 35% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Impacto das mudanças operacionais

As alterações recentes nas regras e procedimentos relacionados ao crédito consignado do INSS passaram a afetar diretamente a dinâmica de contratação desse tipo de financiamento. Em janeiro deste ano, período em que ocorre o reajuste anual dos benefícios previdenciários, correspondentes bancários registraram aumento na procura de aposentados interessados em desbloquear o acesso ao consignado.

Segundo relatos do setor financeiro, muitas unidades chegaram a registrar filas de segurados tentando restabelecer a possibilidade de contratação de empréstimos com desconto em folha.

O movimento ocorre em meio ao debate político envolvendo a CPMI do INSS, que tem colocado o tema do crédito consignado no centro das discussões parlamentares.

Mudança na dinâmica do mercado de crédito

Enquanto o crédito para aposentados apresentou retração significativa, os dados mostram crescimento acelerado do consignado no setor privado. As concessões para trabalhadores com carteira assinada aumentaram mais de 220% em 12 meses, alcançando cerca de R$ 9,2 bilhões.

O volume movimentado nesse segmento passou a superar o montante destinado ao consignado do INSS, que ficou em aproximadamente R$ 4,7 bilhões.

A diferença revela uma mudança na distribuição do crédito consignado no país. Com regras mais restritivas para aposentados e pensionistas, o produto passou a ganhar maior participação entre trabalhadores formais.

Consequências para aposentados

Especialistas do setor financeiro apontam que a redução no acesso ao consignado pode ter impactos diretos no perfil de crédito disponível para os beneficiários da Previdência. O empréstimo consignado costuma oferecer taxas menores em comparação a outras modalidades de financiamento.

Com a redução das concessões, aposentados e pensionistas podem passar a recorrer a linhas de crédito mais caras, como cartão de crédito rotativo ou empréstimos pessoais.

Em alguns casos, também existe o risco de aumento da procura por alternativas informais de crédito, que tradicionalmente apresentam custos muito mais elevados para os tomadores.