Projeto de decreto prevê que tratamentos inovadores contra tumores de cólon e melanoma sejam fornecidos gratuitamente pelo sistema de seguro saúde russo
Um projeto de decreto do governo da Rússia prevê que vacinas personalizadas contra o câncer passem a ser disponibilizadas gratuitamente à população por meio do sistema nacional de seguro saúde. A proposta inclui terapias inovadoras desenvolvidas por instituições financiadas pelo Estado e já aprovadas pelas autoridades sanitárias do país.
De acordo com informações divulgadas pela RT, os medicamentos foram aprovados no ano passado pelo Ministério da Saúde da Rússia e fazem parte de uma nova geração de tratamentos voltados para tumores avançados. Entre eles estão vacinas projetadas para estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater células cancerígenas específicas.
Uma das terapias incluídas na proposta é a Oncopept, vacina baseada em peptídeos desenvolvida para combater tumores colorretais agressivos. O tratamento busca ativar respostas imunológicas específicas contra células cancerígenas associadas ao câncer de cólon.
Outra vacina citada é a Neooncovac, que utiliza tecnologia de mRNA — moléculas responsáveis por transportar instruções genéticas que ajudam a ativar a resposta imunológica do organismo. O tratamento é direcionado principalmente ao combate do melanoma avançado, um tipo agressivo de câncer de pele.
Ambos os medicamentos integram uma lista de terapias avançadas que poderão ser cobertas pelo sistema público de saúde russo, conforme a minuta do decreto publicada no site oficial de regulamentações do governo na quarta-feira. A lista também inclui a terapia CAR-T, um método de tratamento no qual células do sistema imunológico do próprio paciente são coletadas, modificadas geneticamente em laboratório para atacar o câncer e, em seguida, reinfundidas no organismo.
Autoridades russas indicam, no entanto, que a distribuição inicial dessas terapias deverá ocorrer em escala limitada. Segundo Veronika Skvortsova, chefe da Agência Médico-Biológica Federal da Rússia, cerca de 400 pacientes — incluindo alguns estrangeiros — já se inscreveram para receber a vacina contra câncer colorretal.
Os resultados preliminares dos estudos também foram destacados por Aleksandr Ginzburg, diretor do Centro Nacional de Pesquisa de Epidemiologia e Microbiologia Gamaleya, que participou do desenvolvimento da Neooncovac. Segundo ele, testes pré-clínicos realizados em animais indicaram desaparecimento de tumores em muitos casos e resposta das metástases em cerca de 90% das análises. O especialista afirmou ainda que o uso do tratamento em pacientes em estágio inicial começou neste ano.
O investimento em biotecnologia tem sido apresentado pelo governo russo como uma área estratégica para o futuro econômico do país. Autoridades defendem que o setor poderá assumir um papel comparável ao da tecnologia da informação no século passado, impulsionando avanços em medicina preventiva, diagnósticos mais precisos, novos medicamentos e dispositivos médicos inovadores.
Entre os principais defensores dessa estratégia está o presidente Vladimir Putin, que tem apontado a biotecnologia como um caminho para ampliar a expectativa e a qualidade de vida da população por meio de tratamentos mais eficazes e tecnologias médicas de ponta.













