O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu - 29/09/2025 (Foto: REUTERS/Kevin Lamarque)

As manifestações ocorreram em diferentes cidades do país, incluindo Tel Aviv, Jerusalém, Haifa e Be’er Sheva

Milhares de pessoas foram às ruas de Tel Aviv neste sábado (25) em protestos contra o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, com críticas à condução política do país e cobranças por uma comissão estatal de investigação sobre os ataques de 7 de outubro. Sehundo o Haaretz, a mobilização também incorporou referências internacionais, como a recente derrota eleitoral do líder húngaro Viktor Orbán, usada como símbolo de mudança pelos manifestantes.

As manifestações ocorreram em diferentes cidades do país, incluindo Jerusalém, Haifa e Be’er Sheva, com pautas centradas na defesa do sistema judicial e críticas à atuação do governo.

O principal ato ocorreu na Praça Habima, em Tel Aviv, após uma marcha que partiu da embaixada da Hungria. Durante o trajeto, manifestantes entoaram slogans como “Israel não é o Irã” e “Chegou a hora de derrubar o ditador”, em referência ao atual governo israelense. Cartazes com a frase “A esperança vai vencer” foram exibidos em hebraico e húngaro.

Familiares de vítimas também participaram dos protestos. Ruby Chen, pai do refém morto Itay Chen, criticou a ausência de respostas oficiais e afirmou: “Como chegamos a essa situação – esse é o ponto de ruptura?”. Ele acrescentou: “Não há uma pessoa justa no governo” disposta a ouvi-los – “nem o primeiro-ministro”. Chen também defendeu uma decisão judicial firme: “Chegou a hora de uma decisão histórica, para nós e para as próximas gerações. Se esse governo terrível não está disposto a estabelecer uma comissão de inquérito, se quer escapar e evitar responsabilidades, o tribunal deve fazer sua parte”.

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A mãe de Itay, Hagit Chen, também cobrou respostas e responsabilização. “A responsabilidade ainda não foi assumida. O país segue em frente sem respostas. Não podem nos pedir para enterrar nossos filhos e também a verdade”, declarou. Ela apelou diretamente aos juízes: “Dizemos claramente aos juízes – não cedam à pressão. Fiquem do lado da justiça e da retidão, do lado das famílias”.

Além de Tel Aviv, manifestações ocorreram em Jerusalém, onde protestos pediram a substituição do governo e denunciaram políticas urbanas em Jerusalém Oriental. Um dos cartazes dizia: “Parem a limpeza étnica de Silwan”, em referência à demolição de casas palestinas para construção de um parque arqueológico.

No norte do país, manifestantes exibiram bandeiras da Hungria com mensagens como “Hungria, em breve aqui também”, além de fotos de crianças mortas em conflitos recentes envolvendo Israel, Palestina, Líbano e Irã.

Em Modi’in, cerca de 200 pessoas protestaram contra a atuação policial após a detenção de um morador que usava uma kipá com as bandeiras de Israel e da Palestina. O acessório foi devolvido apenas após a remoção da bandeira palestina. Um manifestante afirmou: “O espírito de Ben-Gvir chegou à cidade. A polícia não pertence a Ben-Gvir, mas ao público”.

Outro ato reuniu centenas em Petah Tikva, no local onde o jovem Yimano Binyamin Zelka, de 21 anos, foi morto a facadas no Dia da Independência. Manifestantes acenderam velas e cobraram justiça. O gerente da pizzaria onde o jovem trabalhava, Tamir Zilber, comentou a prisão de suspeitos adolescentes: “Não importa se são menores. Que sejam julgados como adultos”. Ele relatou ainda: “Quando chegaram com spray de espuma de festa, eu não estava na loja. Binyamin me ligou e disse: ‘Algo aconteceu aqui, eles me ameaçaram, é melhor você vir’”.

A deputada Pnina Tamano-Shata também criticou o caso, classificando-o como um alerta social. “O sangue está sendo derramado nas ruas sem motivo. Isso mostra uma falha na nossa sociedade e no sistema educacional”, afirmou. Ela acrescentou: “Levou três dias para a polícia prender os suspeitos, embora todas as crianças de Petah Tikva soubessem seus nomes. Isso é chocante”.

Ainda em Tel Aviv, outro grupo protestou pedindo intensificação nas buscas por Haymanot Kasau, desaparecida desde 2024. Já em Jerusalém, manifestantes se reuniram diante da residência do embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, pedindo que o governo do presidente Donald Trump interrompa o apoio a Netanyahu, considerado por eles um “fardo” político e estratégico.