O presidente da CNI, Ricardo Alban (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil)

A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma
tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros acendeu um sinal de alerta
na indústria nacional. Em comunicado divulgado nesta terça-feira (2), a
Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou acompanhar com preocupação a
iniciativa apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados
Unidos (USTR).

A entidade defendeu o fortalecimento do diálogo entre os
dois países para evitar prejuízos econômicos. Segundo a CNI, a eventual adoção
da medida pode afetar cadeias produtivas integradas entre Brasil e Estados
Unidos e comprometer uma relação comercial construída ao longo de décadas.

Relação

Para a CNI, a parceria econômica entre os dois países é
estratégica e beneficia empresas e consumidores dos dois lados. A entidade
avalia que a imposição de novas barreiras tarifárias tende a gerar impactos
negativos não apenas para a indústria brasileira, mas também para o mercado
norte-americano.

“O momento exige diálogo e análise técnica. De nossa
parte, estamos prontos para contribuir com as negociações”, afirmou, em nota, o
presidente da CNI, Ricardo Alban.

Exportações

Dados levantados pela entidade mostram que as exportações
brasileiras de bens da indústria de transformação para os Estados Unidos
encolheram em 2025.

As vendas do setor somaram US$ 30,2 bilhões no ano
passado, queda de 4,2% em comparação com 2024.

Entre os 15 principais segmentos exportadores da
indústria de transformação, nove apresentaram redução nos embarques para o
mercado norte-americano. As maiores quedas ocorreram nos setores de produtos de
metal (31,6%), madeira (20%), celulose e papel (19,9%) e veículos automotores
(17,6%).

Na avaliação da CNI, a aplicação de uma tarifa adicional
pode ampliar as dificuldades enfrentadas por esses setores e reduzir ainda mais
a competitividade dos produtos brasileiros nos Estados Unidos.

Próximos passos

A discussão sobre a medida deve avançar nas próximas
semanas. O USTR agendou para 6 de julho uma audiência pública para debater a
proposta e receber contribuições de empresas, entidades e governos
interessados.

A CNI considera que a consulta pública representa uma
oportunidade para que o Brasil apresente informações técnicas e argumentos em
defesa da manutenção do fluxo comercial entre os dois países.

Diálogo

A entidade informou que continuará acompanhando o tema e
atuando com autoridades brasileiras, representantes do setor produtivo e
interlocutores norte-americanos.

O objetivo, segundo a CNI, é buscar soluções negociadas
que preservem a parceria econômica bilateral e evitem a adoção de medidas que
possam afetar investimentos, empregos e comércio entre as duas maiores
economias das Américas.