Responsável pela administração do Hospital da Vida e da UPA (Unidade de Pronto Atendimento), a Funsaud (Fundação de Saúde de Dourados) encerra o contrato com o município no dia 16 de dezembro em meio a problemas com funcionários, falta de insumos e crise financeira.
O deficit total passa de R$ 34,5 milhões, sendo R$ 16,6 milhões referentes a dívidas com fornecedores e R$ 17,8 milhões de tributos em atraso.
Estes valores pautaram parte reunião do Conselho Municipal de Saúde realizada nesta quarta-feira (9), entre as 8h e 11h. Além de membros do Conselho, participaram do encontro representantes dos funcionários das unidades e da direção da Funsaud para tratar sobre o tema.
A crise financeira e de gestão vem aumentando, de acordo com os relatos feitos durante a reunião.
Os repasses da prefeitura de Dourados que giram em torno de R$ 4,5 milhões por mês não são suficientes para custeio básico do Hospital da Vida e da UPA. Seriam necessários pelo menos R$ 7 milhões para suprir as demandas mensais.
O vice-presidente da Comissão de Higiene e Saúde da Câmara de Dourados, Elias Ishy (PT) se referiu a situação apresentada como um “caos”, resultante, na opinião dele, da má gestão da Fundação de Saúde de Dourados e também da prefeitura. A fala aconteceu também nesta quarta-feira (9) durante tempo de tribuna livre na 45ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal, onde o parlamentar apresentou os números.
O Dourados News tentou contato com o secretário interino de Saúde, Jackson Farah Leiva, para obter um posicionamento sobre a situação financeira do órgão que recebe repasse da prefeitura através da pasta, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.
PROTESTOS E ATRASOS
Além dos problemas judiciais que resultaram em meses de intervenção por parte da prefeitura de Dourados, a Funsaud tem sido alvo de constantes protestos por parte dos funcionários.
O mais recente aconteceu na terça-feira passada (8). Profissionais que atuam tanto na parte de atendimento médico como enfermeiros, técnicos de enfermagem, e trabalhadores do setor de limpeza e manutenção das unidades estiveram presentes para questionar o motivo dos atrasos salariais.
O Dourados News vem acompanhando há meses a situação das unidades administradas pela Funsaud. No dia 10 de novembro aconteceu outro protesto, desta vez motivado por cortes em parte da taxa adicional por insalubridade.
Outra situação que chamou a atenção da população douradense foi a falta de papel higiênico no Hospital da Vida, além de outros tipos de insumos para limpeza e até de medicamentos usados para atendimento básico. Imagens foram registradas por usuários e funcionários do Hospital.
A Funsaud foi criada através do Decreto nº 1.021, de 14 de abril de 2014, conforme autorização constante do art. 1º da Lei Complementar nº 245, de 03 de abril de 2014. A Fundação atua como prestadora de serviços ao município.
Fonte: Dourados News
Foto: Hedio Fazan













