Moradores do Espírito Santo foram surpreendidos na última semana por céus em tons de laranja, rosa e vermelho – o que, segundo especialistas, é resultado da chegada ao Brasil das cinzas do vulcão Hunga Tonga-Hunga Haʻapai, que entrou em erupção no dia 15 de janeiro, há mais de 12 mil km de distância das terras capixabas.

Considerada a maior dos últimos 30 anos em todo o mundo, a erupção do vulcão em Tonga devastou áreas próximas, liberou 400 mil toneladas de dióxido de enxofre na atmosfera, e suas cinzas e gases atingiram a estratosfera, o que ocorre apenas em episódios de grande intensidade. Segundo a Nasa, a energia da explosão foi mais intensa do que 500 bombas atômicas como a que foi lançada sobre Hiroshima em 1945.

Depois de alcançar a estratosfera, a pluma de gás, vapor e cinzas produzida durante a erupção migrou para Oeste. Com base em alertas de cinzas vulcânicas emitidos pelos centros australianos de alerta para a aviação de cinzas (VAAC) de Wellington e depois pelo de Darwin, a extensão horizontal da pluma cresceu de 18 mil km quadrados em 15 de janeiro para 12 milhões de km quadrados em 19 de janeiro.

As cinzas continuaram a flutuar em altitudes entre 12,8 quilômetros e 19,2 quilômetros entre os dias 19 e 22 de janeiro. Embora estivessem difusas e difíceis de se distinguir das nuvens, o sinal de dióxido de enxofre das plumas vulcânicas era mais forte. Em 22 de janeiro, a ponta da pluma atingiu a costa Leste da África. Na sequência, com menor densidade, o material vulcânico cruzou o continente africano e chegou ao Atlântico até atingir a costa brasileira na terça-feira (25).

Imagens de satélite mostram que a pluma chegou com maior densidade na costa mais ao Norte do Sudeste. 

Plumas vulcânicas já atingiram o Brasil antes

MetSul Meteorologia analisou dia por dia as imagens de satélite com sensores de dióxido de enxofre e outros gases e identificou que a área com profundidade óptica de aerossóis elevada observada no litoral do Espírito Santo na quarta-feira (26) teve deslocamento nas horas e dias anteriores de Leste para Oeste, ou seja, não era resultado de emanações na América do Sul.

No entanto, o Sudeste do Brasil recebia aerossóis no período também de uma segunda origem: as queimadas e incêndios que se deram em decorrência da poderosa onda de calor e da seca no Centro da América do Sul, no Nordeste da Argentina e no Paraguai. 

Esta não é a primeira vez que uma pluma vulcânica alcança o Brasil, mas os episódios anteriores documentados eram de vulcões próximos, como o Lascar (1993) e o Puyehue-Cordón Caulle (2011), ambos nos Andes, com impactos mais notados no Sul brasileiro. 

Nos dois eventos, as cinzas se precipitaram sobre o Rio Grande do Sul. No episódio de 2011, a qualidade do ar chegou a ser classificada como péssima em um dia em Porto Alegre, com muitos reflexos para o transporte aéreo da capital gaúcha, onde muitos voos foram cancelados. 

Diferentemente dos eventos anteriores, o episódio de agora tem uma documentação visual possivelmente inédita de uma pluma vulcânica alcançando o Brasil a partir de uma erupção ocorrida fora da América do Sul. 

Além das nuvens de cinzas, a erupção ocorrida em 15 de janeiro causou um tsunami no mar no Pacífico e uma onda de choque planetária que gerou meteotsunamis em outros oceanos do planeta.

Fonte: Olhar Digital