Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

No passado, porém, Bolsonaro afirmou que a decisão de manter a gravidez de seu filho Jair Renan foi da então esposa Ana Cristina e que o aborto deve “deve ser uma decisão do casal”

Jair Bolsonaro usou as redes sociais para condenar o aborto legal realizado por uma menina de 11 anos que engravidou após ser estuprada e para defedender a castração química de estupradores. Ele também disse ter solicitado que os Ministérios da Justiça e da Mulher, Família e Direitos Humanos “apurem os abusos cometidos pelos envolvidos nesse processo que causou a morte de um bebê saudável com 7 meses de gestação”. 

Apesar das postagens, feitas durante a madrugada desta sexta-feira (24), Bolsonaro já afirmou, enquanto ainda era deputado, em uma entrevista à revista IstoÉ, em 2000, que a decisão de manter a gravidez de seu filho Jair Renan – então com um ano e meio de idade – foi da então esposa Ana Cristina. Na ocasião, ao falar sobre a “legalização do aborto”, Bolsonaro afirmou que isso “tem de ser uma decisão do casal”.

Nos posts, Bolsonaro compartilhou uma matéria de O Globo intitulada “Bolsonaro critica aborto em menina de 11 anos vítima de estupro” e acusou o jornal de tentar induzir a população a pensa que ele é conivente com estupradores. “Globo, não adianta induzir as pessoas a acharem que somos de alguma forma coniventes com um crime tão bárbaro como o estupro, ou que não nos preocupamos com o sofrimento de uma criança de 11 anos. São vocês que demonstram desprezo por uma das vítimas: a criança de 7 meses”, postou o atual ocupante do Palácio do Planalto no Twitter.

Na sequência, ele postou uma outra mensagem anexada a uma reportagem exibida em março de 2020 pela Rede Globo no Programa Fantástico. Na reportagem, o médico Drauzio Varella aparecia confortando a presidiária transgênero Suzy Oliveira, condenada pelo estupro e morte de um garoto de nove anos. A reportagem, porém, não mencionava o crime pelo qual ela havia sido condenada.

As declarações de Jair Bolsonaro nas redes sociais estão ligadas à polêmica em torno do caso de  menina de 11 anos que foi induzida a não realizar o aborto legal, previsto em lei para casos de estupro, pela juíza de Santa Catarina Joana Ribeiro Zimmer. A criança, porém, realizou o procedimento na quarta-feira (22), segundo o Ministério Público Federal (MPF).

 Veja as postagens de Jair Bolsonaro.