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Jornalista terá de pagar indenização de R$ 36 mil a Nelsinho e Reinaldo

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msatual
-
8 de agosto de 2022
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    Nelsinho processou jornalista e ganhou indenização no TJ/MS (Imagem: Divulgação)

    As
    duas condenações impostas pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul)
    ao jornalista Edivaldo Bitencourt, editor de O Jacaré, resultaram em pagamento
    de R$ 36 mil, conforme valores atualizados.

    Do
    total, o maior montante é de R$ 21.618 pela condenação em processo movido pelo
    senador Nelsinho Trad (PSD), que pediu reparação por sua honra. Os outros R$
    15.253 são relativos à ação de injúria apresentada pelo governador Reinaldo
    Azambuja (PSDB).

    A
    primeira sentença veio em março do ano passado. Na ocasião, em decisão unânime,
    a 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça seguiu o voto do relator Sergio
    Fernandes Martins, que determinou o pagamento de R$ 10 mil para reparar dano
    moral ao ex-prefeito de Campo Grande.

    O
    processo contra o editor de o Jacaré deriva da reportagem “TJ eleva para R$ 100
    milhões bloqueio em ação sobre propina a Nelsinho na licitação do lixo”,
    publicada em 20 de abril de 2018.

    Passados
    14 dias, a reportagem esclareceu que a informação estava errada e publicou um
    novo texto, inclusive com pedido de desculpa aos citados. A matéria “O Jacaré
    comete gafe jurídica e erra ao falar de aumento de bloqueio de Nelsinho” foi
    divulgada em 4 de maio de 2018.

    Primeiro,
    o pedido de indenização por danos morais a Nelsinho foi negado pela juíza da
    10ª Vara Cível de Campo Grande, Sueli Garcia.

    A
    defesa de Nelsinho Trad recorreu ao Tribunal de Justiça, que aceitou o recurso
    do senador.  Ao votar, o relator Sergio
    Martins pontuou que estava diante de um “hard case”, com a colisão de dois
    direitos fundamentais, aparentemente de igual estatura constitucional: a
    liberdade de imprensa e o direito à honra.

    Para
    Sergio Martins, apesar de a informação ter sido corrigida, a veiculação da
    notícia teve impacto na honorabilidade de Nelsinho Trad. O voto foi acompanhado
    pelos desembargadores Marcos José de Brito Rodrigues e Marcelo Câmara Rasslan.

    O
    TJMS também aceitou recurso do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e determinou
    que o editor de O Jacaré pagasse indenização de R$ 8 mil ao político tucano.

    O
    processo do governador contra o jornalista foi motivado pela matéria “Reinaldo
    intervém em ação para ajudar ‘amigo’ citado pela JBS a desmatar o Pantanal”.

    A
    reportagem detalha que o fazendeiro em questão era Élvio Rodrigues, que já foi
    assessor de Reinaldo quando prefeito de Maracaju. Outro elo entre ambos foi a
    delação premiada da JBS. O pecuarista foi acusado pela Polícia Federal de ter
    emitido R$ 9,1 milhões em notas frias para viabilizar o pagamento de R$ 67,791
    milhões em propinas pelo frigorífico ao governador do Estado.

    O
    uso do termo “amigo” levou à condenação do editor de O Jacaré em primeiro grau.
    O juiz da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, Olivar Augusto Roberti Coneglian,
    apontou crime de injúria (ofensa que venha atingir a pessoa, em desrespeito a seu
    decoro, a sua honra, a seus bens ou a sua vida).

    “Ora,
    o fato de serem da mesma cidade e um ter sido subordinado hierarquicamente ao
    outro (mesmo que em função de secretário municipal), não significa em absoluto
    que sejam amigos”, concluiu o magistrado.

    O
    jornalista foi condenado à pena de um mês e dez dias em regime aberto, que
    restou convertida no pagamento de dois salários mínimos (R$ 2.424). O
    jornalista pediu absolvição, que foi negada pelos desembargadores. Dono de
    patrimônio de R$ 38 milhões, o governador pediu indenização, que foi deferida
    pelo Tribunal de Justiça.

    A
    lei dá a opção de pagar 30% (R$ 11 mil) como entrada, e o valor restante em até
    seis vezes, mas, nesse caso, incide multa e honorários de 10%. Condições mai
    vantajosas obteve o senador Nelsinho Trad, que fez acordo com o MPE (Ministério
    Público do Estado) para sair da ação penal da Coffee Break, que apontou
    associação criminosa e corrupção na cassação do então prefeito Alcides Bernal
    (PP). A quantia de R$ 50 mil foi parcelada em 24 vezes.

    Amigos
    do jornalista Edivaldo Bitencourt decidiram criar vaquinha para ajudá-lo a
    pagar a indenização de Reinaldo. A mobilização era para arrecadar R$ 10.875,
    que incluiu as custas processuais no valor de R$ 2.875,17 e mais os R$ 8 mil ao
    governador do PSDB.

    A
    mobilização de amigos, amigas e leitores arrecadou R$ 5.935, suficiente para
    pagar as custas no dia 29 de julho deste ano. Ficou um saldo de R$ 3.059 para
    pagar a indenização, que deverá ser quitada até o dia 23 deste mês.

    A
    respeito das condenações, Edivaldo Bitencourt diz que há uma ofensiva contra
    jornalistas em todo o País. A situação em Mato Grosso do Sul não é diferente.
    “Infelizmente, ao longo da minha jornada como jornalista, não vi quase corrupto
    ser condenado em Mato Grosso do Sul. A maioria absoluta ainda nem foi julgada
    pela Justiça, que, infelizmente, foi mais ágil e eficiente no meu caso”,
    lamentou.

    “Mesmo
    considerando injusta, triste por considerar que só exerci o meu direito de
    liberdade de expressão e nunca me neguei a publicar a versão de quem quer que
    fosse, vou cumprir a decisão judicial. Mesmo injusta, faz parte da democracia”,
    afirmou.

    Para
    o editor de O Jacaré, o mais importante é estar do lado certo da história.
    “Fiquei muito grato e surpreso pela ajuda até agora. Agradeço de coração a cada
    um que se dispôs a colaborar”, afirmou.

    Se
    alguém mais quiser colaborar, o PIX é (67)99310-5030.

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