Mortes de duas crianças após atendimento na UPA 24 Horas motivaram solicitação da Comissão de Higiene e Saúde da Câmara por reunião com prefeito

Relatos feitos por mães
dão a dimensão do caos vivido na UPA 24 Horas (Unidade de Pronto Atendimento)
de Dourados. Luto pela perda de filhos e revolta com a qualidade do atendimento
prestado mostram a razão de o prefeito Alan Guedes (PP) ter sido alvo de solicitação da Comissão de Higiene e Saúde da Câmara Municipal para reunião urgente.
Conforme já noticiado
pelo Dourados Informa, a vice-presidente dessa comissão, vereadora Tânia Cristina
(PP), divulgou nas redes sociais que “a situação que já não era das melhores,
ficou ainda mais agravada diante da morte das duas crianças em menos de uma
semana, circunstâncias que colocam sob questionamentos o atendimento oferecido
às vítimas no estabelecimento de saúde”.
“Informações preliminares
dão conta de que, apesar de ser o único estabelecimento de saúde pública
oferecendo atendimento à população em geral, haveria apenas um médico de
plantão o que obrigaria os pacientes esperarem entre oito e 10 horas pelo
atendimento. No caso das duas crianças que morreram, a informação que se tem é
de que elas passaram pela UPA e, após avaliadas, foram mandadas para casa”,
relatou a parlamentar nas redes sociais.
Mas o drama vivido por
quem precisa da saúde pública de Dourados fica efetivamente claro nos comentários
feitos por mães em matéria semelhante publicada pelo Dourados Agora e
compartilhada no Facebook.
“Justiça pelo meu neto
Samuel, apenas 2 aninhos. Queremos justiça, a nossa dor é imensa, não o trará
de volta, mas para não acontecer com outras famílias o que nós estamos passando”,
desabafa uma avó em comentário seguido por dezenas de outros com o mesmo apelo
por justiça.
Em outro relato, a mãe
ainda chora a perda da filha. “Minha bebê também, depois de eu passar 1 semana
indo naquela UPA e eles mandando eu voltar pra casa, fora que um dia antes de
minha bebê teve uma parada, levei ela lá e a médica nem relou nela, só falou
pra normalizar a saturação e mandou pra casa, isso sabendo que minha bebê tinha
cardiopatia e síndrome de down. Quando foi no outro dia que fui lá, minha bebê
estava com uma pneumonia gravíssima e internaram com parada cardíaca, pneumonia
gravíssima e passou 5 dias no HU, mas não resistiu porque pegou uma sepse. Ela
só tinha 2 meses de vida. 18 dias que perdi ela”, detalhou.
Ao dar pêsames para
familiares do pequeno Samuel, uma mulher narra o drama de perder a irmã. “Meus
sentimentos. Eu sei bem a dor que vocês estão passando. Faz 30 dias que perdi
minha irmã. Deu entrada no UPA com todos os sintomas de infarto, o médico
liberou pra morrer em casa. Minha família destruída e esses que diz ser médicos
vão fazer o que? Nada. Deus abençoe e dê forças pra você”, afirmou.
Outro relato de luto e
revolta é feito por uma tia do adolescente de 15 anos que faleceu no dia 13 de
fevereiro em decorrência de dengue hemorrágica. “Olha aí prefeito tem que
colocar ordem aí no UPA. Sou de SP estamos de luto por um adolescente cheio de
vida que foi atendido aí como inflamação de garganta e aplicaram Benzetacil. Só
que estava com dengue hemorrágica. Quantos Júlio César tem que morrer perder
sua vida com 15 anos? Jogador do Ubiratan de Dourados, um adolescente que
estava feliz e sua felicidade acabou por um erro que podia ser evitado. Jesus
Cristo tenha misericórdia e dê paz pra nós e pra Mãe, a Vó, Vô”, desabafou.
O Dourados Informa solicitou
posicionamento da assessoria de comunicação da Prefeitura de Dourados sobre a solicitação de reunião urgente com o prefeito Alan Guedes na Comissão de Higiene e Saúde
da Câmara Municipal e em relação às pautas especificadas pela vereadora Tânia Cristina:
o fato de haver apenas um médico de plantão na UPA, o que obrigaria os
pacientes esperarem entre oito e 10 horas pelo atendimento; e as duas mortes de
crianças em uma mesma semana após primeiro atendimento na UPA.
Quanto ao plantão, respondeu que “mesmo sendo feriado de
Carnaval, a diretora da Funsaud explicou que a escala de plantão de médicos
estava completa”. “A UPA de Dourados é de porte 3, o que prevê a
necessidade de uma escala com 9 médicos por dia. No entanto, sempre trabalhamos
com 10 profissionais, sendo cinco durante o dia e cinco durante à noite”,
explicou Jociane Marques, diretora técnica da Funsaud (Fundação dos Seviços de Saúde de Dourados).
Matéria editada às 14h13 para acréscimo da resposta sobre os plantões.













