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Entenda o que muda com taxação de compras até US$ 50

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msatual
-
2 de junho de 2024
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    A cobrança de Imposto de Importação para compras de até
    US$ 50 (equivalente a cerca de R$ 260) deve ser votada pelo Senado nesta
    semana, de acordo com o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O tributo
    impacta, principalmente, compras de itens de vestuário feminino por meio de
    varejistas internacionais.

    A Agência Brasil preparou uma reportagem para explicar o
    que mudará caso a cobrança seja aprovada e vire lei, a cronologia que envolve
    esse debate e o que defendem os que são contra e a favor.

    Projeto de lei

    A cobrança de imposto nas compras internacionais até US$
    50 faz parte do Projeto de Lei (PL) 914/24, que chegou ao Senado na última
    quarta-feira (29), um dia depois de ter sido aprovado pela Câmara dos
    Deputados.

    Originalmente, o PL trata do Programa Mobilidade Verde e
    Inovação (Mover), destinado ao desenvolvimento de tecnologias para produção de
    veículos que emitam menos gases de efeito estufa. A taxação das compras
    internacionais foi incluída no PL por decisão do deputado Átila Lira (PP-PI),
    relator da matéria.

    Assim que chegou ao Senado, o líder do Governo, senador
    Jaques Wagner (PT-BA), requereu que a tramitação seja em regime de urgência, o
    que apressa a votação. O presidente da Casa informou que consultará as
    lideranças partidárias para que se defina se o projeto tramitará com ou sem
    urgência.


    O que mudaria

    A medida aprovada pelos deputados determina que compras
    internacionais de até US$ 50 passarão a ter a cobrança do Imposto de Importação
    (II), com alíquota de 20%.

    Compras dentro desse limite são muito comuns em sites de
    varejistas estrangeiros, notadamente do Sudeste Asiático, como Shopee,
    AliExpress e Shein.

    Essas plataformas são chamadas de market place, ou seja,
    uma grande vitrine de produtos de terceiros, e os preços costumam ser bem mais
    baratos que os de fabricantes brasileiros.

    A cobrança tratada pelo PL é um tributo federal. Fora
    isso, as compras dentro desse limite de US$ 50 recebem alíquota de 17% do
    Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), um encargo estadual.

    Dessa forma, o consumidor que comprar um produto de R$
    100 (já incluídos frete e seguro) teria que pagar a alíquota do Imposto de
    Importação mais o ICMS, o que levaria o preço final para R$ 140,40.

    Pelo PL, cobranças acima de US$ 50 e até US$ 3 mil terão
    alíquota de 60% com desconto de US$ 20 (cerca de R$ 100) do tributo a pagar.

    Negociação

    Se passar pelas duas casas legislativas, a medida
    precisará do aval da Presidência da República para entrar em vigor.

    Na sexta-feira (31), o vice-presidente e ministro do
    Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o
    PL é resultado de uma negociação entre quem defendia isenção e quem desejava
    alíquota de 60% para qualquer valor.

    Segundo Alckmin, o texto que foi para votação “atende
    parcialmente” à indústria. O vice-presidente disse ainda que acredita que o PL
    terá o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    “O meu entendimento é que ele não vetará, porque
    isso foi aprovado praticamente por unanimidade. Foi um acordo de todos os
    partidos políticos. Acho que foi um acordo inteligente, não vai onerar tanto
    quem está comprando um produto de fora, mas vai fazer diferença para preservar
    emprego e renda aqui”, afirmou em entrevista à BandNews TV.

    No último dia 23, ou seja, antes da aprovação pela Câmara
    dos Deputados, o presidente Lula tinha dito, em conversa com jornalistas, que
    “a tendência é vetar, mas a tendência também pode ser negociar”. Lula
    acrescentou que estava disponível para discutir o tema com o presidente da
    Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

    Como é atualmente

    O debate sobre a taxação se iniciou em abril de 2023.
    Seria uma forma de o governo impedir que empresas burlassem a Receita Federal,
    isso porque remessas entre pessoas físicas até US$ 50, sem fins comerciais, não
    eram tributadas, e empresas estariam fazendo vendas como se fossem envios de pessoas
    físicas.

    Além disso, varejistas brasileiras pediam por alguma
    forma de cobrança desses produtos estrangeiros, alegando concorrência desleal.

    O anúncio da cobrança atraiu reações contrárias. Dessa
    forma, o governo criou o programa Remessa Conforme, que passou a valer em 1º de
    agosto de 2023. Empresas que aderiram à regulamentação ficaram isentas de
    cobrança de imposto em produtos até US$ 50, desde que obedecessem a uma série
    de normas, como dar transparência sobre a origem do produto, dados do remetente
    e discriminação de cobranças, como o ICMS e frete, para o consumidor saber
    exatamente quanto estava pagando em cada um desses itens.

    Um dos efeitos do programa, que teve a anuência das
    principais empresas de market place, é que as entregas ficaram mais rápidas,
    pois a fiscalização da Receita Federal ficou mais fácil com as informações
    fornecidas pelas empresas.

    De acordo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o
    Remessa Conforme deu mais transparência para as compras internacionais. “O
    Remessa Conforme é para dar transparência para o problema. Saber quantos
    pacotes estão entrando, quanto custa, quem está comprando”, disse na Comissão
    de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados na última quarta-feira (22).

    Itens entre US$ 50 e US$ 3 mil continuaram com alíquota
    de 60%. Acima desse valor, a importação é proibida pelos Correios e por
    transportadoras privadas.

    Empresas
    brasileiras

    A isenção proporcionada pelo Remessa Conforme incomodou
    setores da indústria e do comércio no Brasil. Entidades representativas apontam
    que a não cobrança de impostos permite um desequilíbrio na concorrência, que
    favorece empresas estrangeiras.

    Ainda antes do início do Remessa Conforme, a Confederação
    Nacional da Indústria (CNI) e o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV)
    apresentam ao ministro Haddad um estudo que estimava até 2,5 milhões de
    demissões por causa da isenção para empresas de fora do país.

    Varejista chinesa

    Após a aprovação do PL 914/24 na Câmara dos Deputados, a
    empresa chinesa Shein, uma das principais beneficiadas pela isenção, chamou a
    aprovação de “retrocesso”. Apontando que 88% dos clientes da companhia são das
    classes C, D e E, a varejista afirmou ver risco para os consumidores.

    “Com o fim da isenção, a carga tributária que recairá sob
    o consumidor final passará a ser de 44,5%, o que com a isenção se mantinha em
    torno de 20,82% devido à cobrança do ICMS, no valor de 17%. Ou seja, um vestido
    que o consumidor da Shein comprava no site por R$ 81,99 (com ICMS de 17%
    incluso) agora custará mais de 98 reais com a nova carga tributária, formada
    pelo Imposto de Importação de 20% mais o ICMS de 17%”, estimou em nota.

    “A Shein reafirma o seu compromisso com o consumidor e
    reforça que seguirá dialogando e trabalhando junto ao governo e demais partes
    interessadas para encontrar caminhos que possam viabilizar o acesso da
    população para que continue tendo acesso ao mercado global.”

    A varejista também minimizou a relevância do comércio
    eletrônico a partir de empresas estrangeiras. “Estudos apontam que o
    e-commerce, no geral, representa entre 10% e 15% do varejo nacional. Enquanto
    isso, a parcela do e-commerce de plataformas internacionais não alcançaria mais
    do que 0,5% do varejo nacional, de acordo com estudo de 2024 da Tendências
    Consultoria.”

    Entidades
    brasileiras

    Ao defender que não haja isenção para empresas
    estrangeiras, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
    (CNC) apresentou na última segunda-feira (27) um estudo feito com dados da
    Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento,
    Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

    Segundo o levantamento, a quantidade de itens de bens de
    consumo com valor de importação de até US$ 50 por unidade cresceu 35% em 2023
    em relação a 2022. Lideraram as encomendas produtos originários da China (51,8%
    do total). O segmento com maior aumento foi o de itens de vestuário feminino,
    como calças, bermudas e shorts (alta de 407,4%).

    “A isenção até US$ 50 é uma ofensa ao empresário
    brasileiro, que é o responsável por gerar emprego, renda e impostos para a
    economia brasileira”, criticou o economista-chefe da CNC, Felipe Tavares.

    Na visão dele, a potencial perda de emprego no Brasil não
    compensa a oportunidade de comprar produtos mais baratos no exterior. “Sem
    empresas nacionais, não tem trabalho. Sem trabalho, não tem renda. Sem renda,
    não importa se aquela blusinha custa R$ 1 ou R$ 1 milhão, não tem como o
    brasileiro comprar.”

    Em comunicado conjunto com a CNC, a CNI classifica de
    ineficiente a aprovação da alíquota de 20%.

    “A decisão de taxar em apenas 20% as compras
    internacionais não é suficiente para evitar a concorrência desleal, embora seja
    um primeiro passo bastante tímido em direção à isonomia tributária e sua
    equiparação com a produção nacional”, diz o comunicado.

    A nota elenca como principais prejudicados os setores de
    produtos têxteis, confecção de artefatos do vestuário e acessórios, calçados,
    artefatos de couro, produtos de limpeza, cosméticos, perfumaria e higiene
    pessoal.

    A aprovação da taxação pelos deputados federais é “um
    importante avanço no debate sobre a necessária busca de isonomia tributária”,
    avalia comunicado conjunto da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de
    Confecção (Abit), Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) e o IDV.

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