Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28) pela Policia Federal, mobilizou 1.400 mil agentes, incluindo efetivo das Receitas Federal e Estadual, Gaeco e Polícia Militar, e mirou 350 alvos em dez estados, com 200 mandados de busca e apreensão. A meta é desmantelar uma rede criminosa chefiada pelo PCC (o Primeiro Comando da Capital) que, segundo as autoridades, dominou toda a cadeia produtiva de combustíveis, da produção à venda. 

Um dos focos principais, com 42 alvos, incluindo empresas, corretoras e fundos de investimento, apontou lavagem de dinheiro e proteção de patrimônio criminoso. A operação atinge 17 distribuidoras, seis refinadoras, quatro transportadoras, dois terminais portuários e cinco redes de postos de gasolina. Quatro usinas de álcool foram bloqueadas pela Justiça.

Auditores-fiscais da Receita Federal identificaram irregularidades em mais de mil postos de combustíveis distribuídos em 10 estados (SP, BA, GO, PR, RS, MG, MA, PI, RJ e TO). A maioria desses postos tinha o papel de receber dinheiro em espécie ou via maquininhas de cartão e transitar recursos do crime para a organização criminosa por meio de suas contas bancárias no esquema de lavagem de dinheiro.

A Receita Federal estima que, entre 2020 e 2024, a movimentação financeira desses postos foi de R$ 52 bilhões, com recolhimento de tributos muito baixo e incompatível com suas atividades. Os postos já foram autuados pela Receita Federal em mais de R$ 891 milhões.

A investigação se estende também a redes de padarias, além de 21 pessoas físicas e duas instituições de pagamentos. Entre os crimes investigados, estão:

Lavagem de Dinheiro: A principal suspeita é a lavagem de dinheiro, inclusive do tráfico de drogas, para o PCC e seu líder, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. A instituição de pagamentos BK Bank movimentou R$ 17,7 bilhões de forma suspeita.

Movimentação bilionária: Estima-se que o esquema movimentou R$ 52 bilhões em postos de combustível entre 2020 e 2024.

Prejuízo aos cofres públicos: A sonegação fiscal resultou em perdas de R$ 8,6 bilhões para a Receita Federal.

Irregularidades em postos: Mais de mil postos em 10 estados foram identificados com irregularidades. A maioria recebia dinheiro em espécie ou por meio de cartões para lavar recursos do crime.

Importação e adulteração: O grupo importava produtos como nafta e diesel, supostamente para fins lícitos, e desviava metanol para adulterar a gasolina, prejudicando consumidores e aumentando os lucros.

A investigação aponta para cinco núcleos, com destaque para a associação entre os empresários Roberto Augusto Leme da Silva (Beto Loco) e Mohamad Hussein Mourad, do antigo grupo Aster/Copape, e o Grupo Refit, de Ricardo Magro.

O grupo teria usado o dinheiro ilícito para comprar usinas sucroalcooleiras no interior de São Paulo, expandindo seu domínio e financiado lobistas em Brasília para blindar suas atividades.

“Bancos paralelos” 

Uma fintech de pagamento foi identificada como “banco paralelo” da organização, movimentando mais de R$ 46 bilhões e recebendo depósitos em espécie, o que não é comum para esse tipo de instituição.

Foram detectados 40 fundos de investimento com patrimônio de R$ 30 bilhões controlados pela organização. Esses fundos, muitas vezes fechados e com um único cotista, eram usados para ocultar a origem do dinheiro.

Com os recursos, o grupo comprou uma série de bens, incluindo 1.600 caminhões, um terminal portuário, quatro usinas de álcool e mais de 100 imóveis, como fazendas e uma residência de R$ 13 milhões em Trancoso.

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) entrou com ações para bloquear mais de R$ 1 bilhão em bens dos envolvidos, como garantia para o pagamento dos impostos devidos.

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