Sergey Lavrov (Foto: REUTERS/Shamil Zhumatov)

Ministro russo conversou com chanceler Bruno Rodríguez e classificou medidas de Washington como inaceitáveis

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, conversou por telefone nesta quinta-feira (12) com o chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, para tratar de temas da agenda bilateral e internacional. Segundo o comunicado oficial, o diálogo ocorreu por iniciativa do governo cubano. Os ministros discutiram questões consideradas relevantes para as relações entre os dois países, além de temas do cenário internacional. As informações são da RT Brasil.

Lavrov criticou as medidas adotadas pelos Estados Unidos contra Cuba e afirmou que Moscou mantém posição contrária à pressão exercida por Washington. O chanceler russo reiterou que considera “inaceitável” a pressão econômica e política dos EUA sobre o país caribenho. Ele também manifestou “firme apoio ao povo cubano” na defesa da soberania e da autodeterminação.

Outro tema abordado foi o calendário de encontros bilaterais entre os dois países. Entre os compromissos previstos está a 23ª reunião da comissão intergovernamental de cooperação comercial, econômica, científica e técnica entre Rússia e Cuba.

Pressão dos EUA contra Cuba

No dia 29 de janeiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva declarando “emergência nacional” diante de uma suposta ameaça representada por Cuba à segurança do país. A medida acusa Havana de manter alianças com atores considerados hostis por Washington e de permitir a instalação de capacidades militares e de inteligência da Rússia e da China em seu território.

A decisão prevê tarifas a países que vendam petróleo à ilha e ameaça aplicar represálias contra governos ou empresas que desrespeitem a determinação da Casa Branca. O governo estadunidense classificou Cuba como uma “nação em decadência” que “já não conta com a Venezuela” para se sustentar.

Reação de Cuba e impacto do bloqueio

O bloqueio econômico e comercial criminoso imposto pelos Estados Unidos a Cuba dura mais de seis décadas. As medidas mais recentes ampliaram as restrições e agravaram o embargo, com impactos significativos na economia e no cotidiano da população.

Em resposta às decisões de Washington, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou: “Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém nos dita o que fazer. Cuba não agride, é agredida pelos EUA há 66 anos, e não ameaça, se prepara, disposta a defender a pátria até a última gota de sangue”.

Autoridades russas classificaram as medidas como um “bloqueio energético”, afirmando que as restrições dificultam o abastecimento de combustível na ilha. O país passou a enfrentar dificuldades para manter o tráfego aéreo, receber produtos e insumos do exterior e sustentar serviços básicos.

Apesar das restrições, o governo cubano afirmou possuir recursos para enfrentar o bloqueio. Países como Rússia e China, além da Organização das Nações Unidas (ONU), criticaram as medidas estadunidenses. Na América Latina, Brasil, Chile e México também expressaram solidariedade e enviaram ajuda humanitária à ilha.