Vodca russa ajuda a salvar homem intoxicado por metanol (Foto: Sandro Araújo/Agência Saúde DF)

Comerciante passou por tratamento emergencial após consumir bebida adulterada

Em 26 de setembro, Cláudio Crespi, comerciante da cidade de São Paulo, foi vítima de uma intoxicação grave por metanol, após consumir uma bebida alcoólica entre São Paulo e Guarulhos. No dia seguinte, seu estado de saúde piorou e ele precisou ser internado. A advogada Camila Crespi, sobrinha de Cláudio, relembra o momento de desespero. “O hospital não tinha o antídoto. Eu fui buscar uma vodca em casa. Estava fechada. Eu e meu marido não bebemos, e a vodca russa estava em casa fechada e pronta para o meu tio usar. Na hora do desespero, a médica pediu um destilado e lembramos que tinha essa em casa”, contou ao g1.

A solução inesperada foi encontrada na própria casa de Camila, onde a vodca, que havia sido presente de uma amiga, foi utilizada pelos médicos para estabilizar o comerciante. Durante cerca de quatro dias, o destilado foi administrado no hospital até que a hemodiálise completasse o tratamento, permitindo a recuperação de Cláudio, que foi diagnosticado com intoxicação por metanol, um tipo de álcool altamente tóxico. A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo confirmou que o uso de bebida alcoólica como antídoto é um protocolo emergencial reconhecido, utilizado quando medicamentos específicos não estão disponíveis.

O metanol é convertido no fígado em formaldeído e ácido fórmico, substâncias que podem causar danos irreversíveis, como cegueira e até morte. O médico hepatologista Rogério Alves, do Hospital Beneficência Portuguesa, explicou que, quando o fomepizol, o antídoto ideal, não está disponível, o etanol (encontrado na vodca) é utilizado para bloquear a ação das enzimas que transformam o metanol em veneno. A hemodiálise é um complemento importante para eliminar as toxinas do corpo.

Em São Paulo já foram registrados 25 casos confirmados de intoxicação por metanol, e 5 mortes, em consequência do consumo de bebidas adulteradas. A polícia investiga a fabricação clandestina de bebidas, onde o metanol é misturado ao etanol, originando destilados perigosos para a saúde pública.

Ainda em recuperação, Cláudio declarou: “Eu ganhei uma vida nova”, referindo-se à sua recuperação surpreendente após o coma. No entanto, ele ainda lida com problemas de visão e dificuldades respiratórias.