Bancada federal se posiciona a favor de investigar instituição financeira liquidada em novembro de 2025. (Reprodução Câmara e Senado | Rovena Rosa, Agência Brasil)

Deputados e senadores discutem investigação contra o banco e o dono da instituição, Daniel Vorcaro

A bancada federal de Mato Grosso do Sul defende a abertura de investigação do Congresso Nacional contra o Banco Master e o dono, Daniel Vorcaro. Atualmente, há uma apuração no STF (Supremo Tribunal Federal) que investiga irregularidades na instituição financeira liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025. 

Tramitam no Congresso Nacional pedidos de abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) – quando a investigação é tocada por uma das casas legislativas – ou uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) quando o Senado e a Câmara dos Deputados se unem para se debruçar sobre determinado tema. 

Uma pesquisa realizada pelo Estadão indica que 56% dos deputados são favoráveis à instalação do grupoNo Senado, o índice de favoráveis é de 68%. Além disso, haveria uma disputa entre governistas e opositores pelo protagonismo nesta pauta. Enquanto governistas querem uma CPI, via Câmara dos Deputados, opositores tentam CPMI via Senado.

De acordo com levantamento do Congresso em Foco, há quatro requerimentos neste sentido:

*CPI na Câmara: autor deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF);

*CPI no Senado: autor senador Eduardo Girão (Novo-CE);

*CPMI: autor deputado Carlos Jordy (PL-RS)

*CPMI: autoras deputadas Fernanda Melchionna (Psol-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ)

Bancada de Mato Grosso do Sul

No caso dos parlamentares de Mato Grosso do Sul, a maioria se posiciona a favor de uma investigação. Os senadores Nelsinho Trad (PSD-MS) e Tereza Cristina (PP-MS) assinaram pedidos de investigações protocolados pela oposição.

“[Precisamos] de investigação com transparência mesmo já tendo outras investigações”, afirmou Nelsinho Trad. 

A senadora Soraya Thronicke (PODE-MS) defende uma investigação “séria, técnica e focada” e que o processo “não seja desvirtuado por disputas políticas ou transformado em um espetáculo midiático”. A congressista integra o Grupo de Trabalho instituído no âmbito da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado que acompanha a análise do caso. 

“Nesse sentido, assinei o pedido de criação da CPI do Banco Master no Senado Federal, por entender que uma investigação conduzida de forma responsável e no âmbito de uma das Casas Legislativas contribui para maior objetividade, reduz a politização excessiva e preserva o compromisso com a apuração dos fatos.

Câmara dos Deputados

Na Câmara dos Deputados, governistas e oposicionistas também se mostram favoráveis a investigação. O deputado federal Vander Loubet (PT-MS) assinou, nesta segunda-feira (9), o pedido de CPMI protocolado pelas deputadas Fernanda Melchionna (Psol-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ).

“Acredito que a disputa pela narrativa em torno do tema é normal, é da política. Porém, depois que a Comissão é instalada, ela deve seguir o rito habitual do Congresso Nacional, com as lideranças e as respectivas bancadas compondo de acordo com seu tamanho”, ele afirma. 

A outra governista de Mato Grosso do Sul, deputada federal Camila Jara (PT-MS), foi acionada, mas não respondeu até o momento. O espaço segue aberto para manifestações. 

O líder da bancada do Estado, deputado federal Dagoberto Nogueira (PSDB-MS), explicou que CPMI do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), da qual é membro, analisa a possibilidade de investigar o Banco Master, já que a instituição financeira foi mencionada durante os trabalhos.

Ele também se posiciona a favor de uma investigação. “Isso ainda não está resolvido, mas será nos próximos dias, até porque a gente ganha tempo com isso, já tem a CPI, já está andamento”, argumenta. 

Os deputados federais tucanos Geraldo Resende e Beto Pereira assinaram pedidos de investigações contra o Banco Master. Geraldo Resende apoia o pedido de CPI do colega Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Ele espera que possam mostrar as ligações entre agentes políticos e agentes financeiros. 

“Para mim, doa a quem doer. Quem tiver responsabilidade desse processo, que pague. O mais importante é que o povo brasileiro saiba de fato a verdade, que ninguém tenta camuflar essa verdade”, acredita. 

Do lado oposicionista, o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) afirma que apresentou dois pedidos de CPI para investigar o escândalo do banco Master e assinou “diversos pedidos” para CPI e CPMI que estão em tramitação no Congresso Federal.

“Esse caso é muito mais grave que a lava jato. Esse é o maior escândalo que poderia se acometer sobre uma nação, pois os seus protagonistas são membros da mais alta corte”, disse. O direito e as garantias fundamentais vêm sendo solapados pelo Supremo. Usurparam as competências dos outros poderes, perseguem deputados de oposição e agora atacam o sistema financeiro nacional. Algo que pode jogar o Brasil na fossa. Risco real de perdemos a credibilidade, pois segurança jurídica não existe mais”, defende.

O deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) também defende uma investigação do Banco Master no Legislativo Federal. Ele critica a falta de apoio do PT ao pedido de investigação do oposicionista Carlos Jordy (PL-RS). 

O deputado federal Luiz Ovando (PP-MS) foi acionado sobre o tema, mas até o momento não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.