Deputado foi eleito pelo PT em MS. (Reprodução, Gabriel Paiva)

Deputado lembrou que a quebra de sigilo já havia sido determinada pelo ministro André Mendonça

Deputado por Mato Grosso do Sul, Vander Loubet (PT) disse que a aprovação de quebra de sigilo bancário de Fabio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, foi uma “manobra fraudulenta da Presidência da Comissão”. A aprovação terminou em pancadaria nesta quinta-feira (26), no Senado.

Assim, Vander defende que a aprovação foi desnecessária. “Pois o ministro André Mendonça, antes mesmo da votação da CPMI, já havia determinando a quebra do sigilo a partir de um pedido da PF”, justificou.

O episódio foi classificado como vergonhoso pelo deputado federal. “O que vimos na CPMI do INSS foi uma vergonha, uma fraude. Se a maioria dos titulares votou para não aprovar a quebra de sigilo — e foram 14 votos a 7 contra a quebra — isso deveria ser respeitado, independente de vontades pessoais”, argumentou.

Disposição

Contudo, destacou ao Midiamax que “todo o cidadão brasileiro deve estar à disposição das autoridades para investigações”. Assim, disse que “com o Lulinha não seria diferente, ele não é especial por ser filho do presidente”.

Vander lembrou que “inclusive, o próprio presidente Lula, em um evento recente com a imprensa, deixou claro que, se o filho dele tiver algum tipo de envolvimento com os casos do INSS, terá que responder a respeito — uma postura bem diferente do Bolsonaro, que fazia questão de dizer publicamente que queria blindar a família de investigações”.

Quebra de sigilo

O relatório aprovado considera como um dos elementos mais importantes as menções de repasses de R$ 300 mil “ao filho do rapaz”, conforme conversas interceptadas pela Polícia Federal.

Para a investigação, trata-se de Lulinha, que seria um possível “sócio oculto” de Antonio Camilo Antunes, o “careca do INSS”.

Ainda, registros de viagem recolhidos pela PF mostraram que Lulinha e ‘Careca’ estiveram juntos em Lisboa, em novembro de 2024.

Os documentos anexados revelaram também que ambos teriam embarcado no mesmo voo, em assentos de primeira classe. Valores das passagens variam entre R$ 14 mil e R$ 25 mil.

Os materiais coletados foram reiterados em depoimento de Edson Claro, ex-funcionário do “careca do INSS”, à Polícia Federal. Ele afirmou que Lulinha recebia uma “mesada” de R$ 300 mil de Antunes.

O valor é citado em uma troca de mensagens entre Antunes e a empresária Roberta Luchsinger. Foi com ela que “Careca” afirmou ter de repassar R$ 300 mil para o “filho do rapaz”.

Lula busca blindagem diante da polêmica envolvendo o filho na investigação do rombo dos aposentados e pensionistas. Ele chegou a afirmar que, caso sejam confirmadas as acusações, Lulinha pagará o “preço”.