Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado pela PF como "sicário" de Daniel Vorcaro (Foto: Divulgação)

Defesa afirma que quadro clínico de Luiz Phillipi Mourão não justifica procedimento após tentativa de suicídio em cela da Polícia Federal

O advogado Robson Lucas da Silva afirmou nesta quinta-feira (5) que não há indicação médica para a abertura de um protocolo de morte cerebral no caso de Luiz Phillipi Mourão, apontado como “sicário” ligado ao empresário André Vorcaro. O preso está internado após uma tentativa de suicídio enquanto se encontrava sob custódia da Polícia Federal em Minas Gerais.

As informações são do portal UOL. Segundo a defesa, o estado clínico atual do detento não apresenta os critérios necessários para que os médicos iniciem o procedimento previsto em casos de suspeita de morte cerebral. O advogado destacou que a abertura desse protocolo depende de sinais clínicos específicos e de uma evolução negativa do quadro de saúde, o que, de acordo com ele, não ocorreu até o momento.

“A condição clínica atual não é indicativa de abertura do protocolo. Essa abertura do protocolo depende da manifestação clínica, da evolução para pior e isso ainda não houve. Não se chegou ainda a esse momento, espero que não se chegue, mas os médicos ainda não têm, de acordo com a literatura médica, condição de abrir esse protocolo”, afirmou Robson Lucas da Silva.

A tentativa de suicídio ocorreu quando Mourão estava detido na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. A corporação informou que ele foi prontamente socorrido por equipes da própria PF e encaminhado para atendimento hospitalar.

A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) informou que não divulgará informações detalhadas sobre o estado de saúde do paciente. Em comunicado, a instituição citou a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para justificar a restrição.

“A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), em consonância com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), informa que, em conformidade à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), não pode disponibilizar qualquer dado individualizado que diz respeito à privacidade do paciente.”

A Polícia Federal abriu um procedimento para apurar as circunstâncias da tentativa de suicídio. O diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues, afirmou que toda a movimentação do preso e o atendimento prestado pelos agentes foram registrados pelas câmeras de segurança da unidade.

“Está tudo filmado”, declarou Rodrigues. Segundo ele, “toda a ação dele e o atendimento pelos policiais estão filmados sem pontos cegos”.

Em nota, os advogados Robson Lucas e Vicente Salgueiro informaram que estiveram com Mourão horas antes do episódio. De acordo com a defesa, o encontro ocorreu até por volta das 14h de quarta-feira (4).

“No momento em que estivemos com ele, encontrava-se em plena integridade física e mental. A informação sobre o incidente de supostamente ter atentado contra a própria vida foi conhecida após a nota de esclarecimento emitida pela Polícia Federal”, afirma o comunicado.

A Polícia Federal informou ainda que novas informações sobre o estado de saúde do preso poderão ser divulgadas após atualização da equipe médica responsável pelo atendimento.