Foto mostra o banqueiro Daniel Vorcaro na prisão (Foto: Reprodução )

Vorcaro está custodiado na Penitenciária Federal em Brasília, unidade de segurança máxima destinada a presos considerados de alto risco

Transferido para o sistema penitenciário federal na última sexta-feira, o banqueiro Daniel Vorcaro iniciou uma nova rotina marcada por isolamento, controle rígido de horários e limitações severas de contato com o mundo exterior. As informações sobre as condições do primeiro fim de semana do empresário na prisão foram divulgadas pelo jornal O Globo.

Vorcaro está custodiado na Penitenciária Federal em Brasília, unidade de segurança máxima destinada a presos considerados de alto risco ou cuja permanência em presídios estaduais possa representar problemas de segurança. Desde a chegada, o banqueiro passa a maior parte do tempo em uma cela individual com cerca de seis metros quadrados, seguindo o protocolo aplicado aos detentos recém-transferidos.

A estrutura da cela segue o padrão das penitenciárias federais. O espaço conta com uma cama de concreto elevada com colchão fino, uma bancada que funciona como mesa, um banco fixo acoplado à parede e uma pequena área de higiene equipada com pia, vaso sanitário e chuveiro.

Não há televisão, tomadas elétricas ou qualquer tipo de equipamento eletrônico no local. A iluminação e o funcionamento do chuveiro são controlados externamente pelos agentes penitenciários e seguem horários estabelecidos pela administração da unidade, geralmente entre 6h e 22h.

O banho é permitido apenas uma vez por dia e tem duração máxima de 15 minutos, normalmente pela manhã. A única entrada de luz natural na cela vem de uma pequena janela localizada próxima ao teto, na área de higiene.A rotina dentro do presídio é fortemente marcada pelos horários de alimentação. Vorcaro recebe seis refeições diárias, entregues diretamente na porta da cela pelos agentes penitenciários.

O dia começa com café da manhã, composto por pão, fruta e ovo, acompanhado de café ou leite. Ainda no período da manhã, os detentos recebem uma colação, que costuma incluir fruta ou biscoito.

O almoço é considerado a principal refeição do dia e geralmente inclui uma proteína, como carne ou frango, além de arroz, feijão e salada. No meio da tarde, é servido um novo lanche, que pode ter pão, fruta ou biscoito.

À noite, a rotina alimentar termina com o jantar — semelhante ao almoço, porém em porções menores — seguido de uma ceia leve antes do recolhimento noturno.

Durante os primeiros dias no presídio, o banqueiro permanece praticamente o tempo todo dentro da cela. As saídas ocorrem apenas em situações autorizadas pela administração da unidade, como para o banho de sol diário, que tem duração de duas horas e ocorre sob escolta de agentes penitenciários.

Sempre que o preso deixa a cela, ele passa por revista pessoal. O próprio espaço onde permanece também é inspecionado regularmente pelos agentes responsáveis pela segurança da unidade.Além das restrições físicas, Vorcaro enfrenta um período inicial de adaptação previsto no protocolo do sistema penitenciário federal. Durante esse intervalo, que pode chegar a até 20 dias, o preso não recebe visitas sociais de familiares ou amigos.

Nesse período, o contato externo fica praticamente restrito aos advogados de defesa. Os encontros com os defensores ocorrem em salas específicas do presídio e dependem de identificação e registro na entrada da unidade.A defesa de Vorcaro solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorização para que a primeira reunião com o banqueiro no presídio federal ocorra sem gravação. Segundo os advogados, a medida é necessária para garantir a confidencialidade na definição da estratégia jurídica do caso.

Nas penitenciárias federais, as conversas entre presos e advogados costumam ser registradas por áudio e vídeo, procedimento que levou a equipe jurídica a pedir uma exceção para o primeiro encontro com o cliente desde a decretação da prisão preventiva.Inaugurada em 2018, a Penitenciária Federal em Brasília é administrada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais e integra o sistema nacional de presídios de segurança máxima, criado para custodiar detentos considerados de maior periculosidade ou envolvidos em investigações de grande impacto.