Presidente russo afirma que interrupção no fornecimento de energia já pressiona a inflação mundial
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta segunda-feira (9) que o país havia alertado repetidamente sobre os riscos que a instabilidade no Oriente Médio poderia trazer ao sistema global de energia. As declarações foram feitas durante uma reunião sobre o mercado internacional de petróleo e gás. Segundo Putin, as advertências de Moscou indicavam que ações para desestabilizar a região provocariam consequências diretas no fornecimento de recursos energéticos e nos preços internacionais. As informações são da RT Brasil.
“A Rússia alertou em várias ocasiões que as tentativas de desestabilizar o Oriente Médio colocariam em risco, inevitavelmente, o complexo global de combustível e energia”, disse o presidente da Rússia. Durante o encontro, Putin também afirmou que a interrupção do fornecimento energético tende a gerar impactos econômicos mais amplos. “Após a interrupção de suprimentos vêm outros problemas de caráter puramente econômico, e a inflação aumenta”, declarou.
Estreito de Ormuz
Vladimir Putin também comentou a situação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global de petróleo. De acordo com ele, a passagem está praticamente fechada, o que pode comprometer seriamente a produção de petróleo ligada à região. O presidente afirmou que a extração já apresenta sinais de desaceleração e que instalações de armazenamento acumulam combustível cuja exportação se tornou inviável ou excessivamente cara.
“É evidente que a substituição completa dos suprimentos de petróleo do Oriente Médio sem utilizar o Estreito de Ormuz é atualmente irrealizável”, afirmou. Putin acrescentou que uma situação semelhante ocorre no mercado internacional de gás natural, com redução significativa nas entregas de gás natural liquefeito. Segundo ele, esse cenário intensifica a competição entre países compradores por fornecedores disponíveis, embora tenha ressaltado a tradição de confiabilidade das empresas russas do setor energético.
O líder russo também indicou que a mudança na relação entre oferta e demanda pode levar a um novo patamar de preços mais estáveis no mercado global. Nesse contexto, recomendou que empresas energéticas russas utilizem as receitas atuais para reduzir níveis de endividamento.
Agressão militar dos EUA e Israel contra o Irã
A crise ocorre após ataques lançados em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. Os ataques ocorreram após ameaças reiteradas de Washington e Tel Aviv relacionadas ao programa nuclear iraniano, enquanto o Irã sustenta que o desenvolvimento tem finalidade pacífica. Diversos países manifestaram críticas à ofensiva militar. Os chanceleres da Rússia e da China, Sergey Lavrov e Wang Yi, classificaram os ataques como “inaceitáveis” em meio às negociações que estavam em andamento entre os EUA e o país persa.
Durante a ofensiva, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, foi assassinado, assim como altos oficiais do governo do país. Em resposta, o Irã lançou ondas de mísseis balísticos contra Israel e contra bases militares estadunidenses em países do Oriente Médio. Segundo informações divulgadas no contexto da ofensiva, mais de 1.300 pessoas morreram no Irã em decorrência dos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel.













