
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (18) que classificar facções criminosas brasileiras como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas pode gerar consequências graves no cenário internacional, incluindo a possibilidade de intervenção militar estrangeira no país.
As declarações foram feitas durante reunião da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, conforme reportagem do Valor Econômico. No encontro, o chanceler também respondeu a críticas da oposição sobre a política externa brasileira e alegações de isolamento internacional.
Vieira destacou que há diferenças fundamentais entre organizações criminosas e grupos terroristas. Segundo ele, facções como PCC e Comando Vermelho atuam com foco em ganhos financeiros, enquanto organizações terroristas são movidas por motivações políticas e ideológicas. Nesse contexto, alertou para os riscos de uma eventual reclassificação. “A classificação dessas organizações como terroristas teria uma série de consequências nas relações entre os países, podendo até mesmo justificar a intervenção militar em outro país”, disse.
O ministro também reforçou o compromisso do governo brasileiro no combate ao crime organizado e ao tráfico internacional. “O governo não tem a menor hesitação em lutar contra o tráfico de armas, de drogas e o crime transnacional”, afirmou, ao mencionar negociações em andamento com os Estados Unidos para ampliar a cooperação nessa área.
Durante a sessão, Vieira rebateu acusações da oposição de que o Brasil estaria isolado no cenário internacional. Ele atribuiu críticas desse tipo ao período do governo anterior, que classificou como ausente no plano diplomático. O chanceler citou a presença constante do país em fóruns internacionais e lembrou que o Brasil foi convidado para reuniões ampliadas do G7 ao longo dos mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo ele, o país voltará a participar do encontro do grupo neste ano, ao lado de nações como Índia e Coreia do Sul. Vieira também destacou a realização da Conferência do Clima (COP-30), prevista para 2025 no Pará, como sinal de prestígio internacional.
No campo geopolítico, o ministro rejeitou a avaliação de que o Brasil teria adotado postura menos firme diante de conflitos no Oriente Médio. Ele afirmou que o país já emitiu cinco posicionamentos condenando a escalada de violência e defendendo a retomada das negociações diplomáticas.
Vieira também criticou a condução dos Estados Unidos no conflito envolvendo o Irã, afirmando que ataques foram realizados antes da conclusão de negociações em curso. Segundo ele, autoridades internacionais, incluindo representantes de Omã, manifestaram insatisfação com a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que teria se recusado a aguardar o avanço das tratativas diplomáticas.












