O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi preso sob acusação de assassinar a própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana (Foto: Reprodução R7- Record)

De acordo com denúncia do Ministério Público de São Paulo, o oficial é acusado de feminicídio qualificado

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi preso sob acusação de assassinar a própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana, em um caso que ganhou novos contornos após a divulgação de mensagens que indicam abuso psicológico, controle e exigência de relações sexuais em troca do pagamento de despesas domésticas. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.

De acordo com denúncia do Ministério Público de São Paulo, o oficial é acusado de feminicídio qualificado, por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual por supostamente tentar simular um suicídio após o crime.

Mensagens extraídas do celular do acusado revelam a dinâmica do relacionamento, descrito pelos promotores como abusivo e marcado por controle e humilhações. Em um dos trechos, o tenente-coronel cobra da vítima uma suposta “contrapartida” pelos gastos que afirmava ter com a casa: 

“Eu invisto todos os meses, 3 mil reais de aluguel, 2 mil reais de condomínio, 500 reais de água e luz, 500 reais de gás, fora as coisas que eu compro de mercado e todas as vezes que nós saímos eu pago tudo sozinho (…) e você investe quanto? Não tem dinheiro, beleza. Investe amor, carinho, atenção, dedicação, sexo…. mas nem isso você faz”.

Em resposta, a soldado deixa clara a recusa e o desejo de encerrar o relacionamento: “Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final”, escreveu poucos dias antes de morrer.

Segundo o Ministério Público, o crime ocorreu na manhã de 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal vivia, na região do Brás, em São Paulo. A acusação aponta que, durante uma discussão, o oficial teria segurado a vítima pela cabeça e efetuado um disparo de arma de fogo contra o lado direito do crânio.

Ainda de acordo com a denúncia, após o disparo, o tenente-coronel teria manipulado a cena do crime para simular um suicídio. O documento afirma que ele posicionou o corpo da vítima, colocou a arma em sua mão e tentou eliminar vestígios, inclusive lavando as mãos, antes de acionar o socorro. O atendimento médico, segundo os promotores, só teria sido chamado cerca de 30 minutos depois do ocorrido.

As investigações também indicam que o relacionamento era marcado por episódios recorrentes de violência física e psicológica. O Ministério Público sustenta que o acusado apresentava comportamento possessivo, controlador e autoritário, além de tentar isolar a vítima de familiares e amigos. Há relatos de agressões anteriores ao crime e de que a policial havia manifestado intenção de se separar dias antes de sua morte.

Outro ponto levantado pela acusação é a possibilidade de o tenente-coronel ter utilizado sua posição hierárquica na Polícia Militar para influenciar testemunhas e interferir na apuração dos fatos. Há indícios de que ele teria desrespeitado procedimentos no local do crime, como a preservação da cena.

O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado como morte suspeita após inconsistências na versão apresentada pelo marido. Laudos periciais e novos elementos levaram à reclassificação para feminicídio, com pedido de prisão preventiva e afastamento do cargo.

A Justiça acatou a denúncia, e o caso deverá ser julgado pelo Tribunal do Júri. O tenente-coronel foi preso em sua residência em São José dos Campos, no interior paulista.

Em nota, a defesa do acusado contestou a legalidade da prisão e afirmou que ele vinha colaborando com as investigações desde o início. O texto sustenta que houve “decreto dúplice de prisão” por diferentes esferas da Justiça e critica a divulgação de informações sobre a vida privada do oficial.“Reitera que seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade”, diz trecho da nota.

Os advogados também informaram que recorreram ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e estudam medidas judiciais para contestar a decisão, reafirmando que o acusado aguarda a “completa elucidação dos fatos”.