Caminhoneiros mantêm pressão por greve, apesar de medidas do governo (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

Alta do combustível pressiona caminhoneiros, que consideram ações do governo insuficientes e mantêm mobilização nacional

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou uma série de ações para tentar conter os impactos da alta do diesel e evitar uma paralisação nacional de caminhoneiros, em meio a preocupações econômicas e políticas. As iniciativas incluem reforço na fiscalização do setor e medidas para reduzir o preço do combustível, segundo o Metrópoles.

Entre as medidas anunciadas, está o aumento da fiscalização sobre o cumprimento do piso mínimo do frete e a criação de instrumentos legais para punir empresas que descumprem reiteradamente a tabela. O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), afirmou que esse tipo de irregularidade tem se tornado frequente no mercado. Ainda assim, entidades representativas dos caminhoneiros avaliam que as ações não atendem às demandas da categoria.

A escalada da tensão ocorre após a elevação expressiva do preço do diesel. Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que o valor médio do combustível subiu quase 12% em uma semana, atingindo R$ 6,80 por litro. O aumento, associado a fatores internacionais como a guerra no Oriente Médio, intensificou a insatisfação dos trabalhadores do transporte de cargas.

Apesar das iniciativas do Executivo, caminhoneiros seguem mobilizados e ameaçam paralisações. A Associação Nacional de Transporte de Cargas (ANTC), que atua na região portuária de Santa Catarina, anunciou a suspensão das atividades a partir do meio-dia desta quinta-feira (19). O diretor da entidade, Sérgio Pereira, criticou as ações governamentais, classificando-as como “fracas” e “insuficientes”.

Além da redução no custo do diesel, os trabalhadores reivindicam uma nova atualização da tabela de fretes e melhores condições de trabalho. Na quarta-feira (18), representantes da categoria se reuniram em Santos (SP) para discutir os rumos da mobilização. Segundo participantes, há disposição para uma eventual paralisação nacional, desde que ocorra de forma pacífica. “Não queremos confronto. Queremos respeito”, afirmou um dos presentes.

O encontro terminou sem uma decisão definitiva, mas encaminhou a deliberação para a Assembleia Geral dos Caminhoneiros, marcada para esta quinta-feira (19), na sede do Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (SINDICAM). Até lá, a categoria permanece em estado de greve.

No campo das medidas regulatórias, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciou a ampliação da fiscalização eletrônica e presencial sobre os contratos de frete. A agência também reforçou que empresas que pagarem valores abaixo do mínimo poderão ser penalizadas. Na semana anterior, a ANTT já havia reajustado a tabela do frete com base na variação do diesel, com aumentos que variam entre 4,82% e 7%, conforme o tipo de operação.

O governo também intensificou ações para conter abusos nos preços dos combustíveis. Entre as medidas adotadas estão a retirada de impostos federais, como PIS e Cofins, e a concessão de subsídios a produtores e importadores de diesel. A iniciativa resultou em uma redução de R$ 0,64 no preço do combustível nas refinarias.

Para aumentar a transparência, um decreto presidencial determinou que postos de combustíveis informem de forma clara e visível ao consumidor as ações relacionadas à formação de preços. Paralelamente, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar possíveis irregularidades e práticas abusivas no mercado, após identificar oscilações suspeitas em diferentes regiões do país. Até o momento, a fiscalização já alcançou 16 unidades da Federação e deve avançar sobre distribuidoras.