Fabiano Zettel (Foto: Reprodução/YouTube/PrimoCast)

Mensagens analisadas indicam possível rede financeira operada por cunhado do empresário e levantam suspeitas de irregularidades

A Polícia Federal intensificou a análise de mensagens e ordens de pagamento envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, e seu cunhado, Fabiano Zettel, em investigação que apura possíveis repasses a políticos e eventuais irregularidades financeiras. O material examinado inclui diálogos e dados obtidos por meio de quebras de sigilo, que podem embasar novas fases da Operação Compliance Zero, informa a Folha de São Paulo.

Segundo a investigação, Zettel é apontado como o principal operador financeiro de Vorcaro, sendo considerado peça central para a compreensão da estrutura de movimentações financeiras ligadas ao grupo. A PF busca cruzar mensagens trocadas entre os dois com registros bancários para confirmar se os pagamentos mencionados ocorreram e, caso tenham sido realizados, avaliar sua legalidade ou identificar indícios de irregularidades

Um dos pontos apurados envolve a possível relação de pagamentos com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), cujo nome aparece nas mensagens analisadas. Em nota enviada por sua assessoria, o parlamentar afirmou: “reafirma que jamais recebeu qualquer pagamento de Daniel Vorcaro ou pessoas ligadas ao empresário”. Ele acrescentou ainda que “sobre o Fabiano Zettel, mencionado pela reportagem, ressalte-se que o senador Ciro sequer o conhece” e disse estar “tranquilo quanto às investigações da Polícia Federal que, seguramente, irão esclarecer os fatos e revelar a verdade”.

A investigação também analisa conexões financeiras relacionadas a fundos vinculados a Zettel e ao resort Tayayá, empreendimento que teve participação de empresa ligada à família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli. Segundo a apuração, essa empresa vendeu parte de suas cotas a um fundo associado ao que a PF descreve como uma teia fraudulenta ligada ao Banco Master. Toffoli afirmou anteriormente que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel” e nega conhecer o investigado

Zettel foi preso em duas ocasiões: inicialmente em janeiro, por ordem de Dias Toffoli, e novamente em março, já sob a supervisão do ministro André Mendonça. Atualmente, ele está detido no Presídio Federal de Brasília, no Complexo da Papuda. Vorcaro também esteve preso no local antes de ser transferido para a Superintendência da Polícia Federal, onde negocia termos de uma possível delação premiada

De acordo com a decisão que determinou a prisão de Zettel, ele “atuava na intermediação e operacionalização de pagamentos relacionados às atividades desenvolvidas por integrantes da organização, participando da definição de mecanismos destinados a viabilizar transferências financeiras e a estruturar instrumentos contratuais utilizados para justificar tais repasses”. O documento aponta ainda que ele participava de comunicações com Vorcaro sobre a gestão de pagamentos e tratativas financeiras com terceiros

Outro elemento investigado envolve a suspeita de que Zettel teria participado da elaboração de uma contratação simulada de um servidor do Banco Central, Belline Santana, por meio de uma empresa de consultoria, com o objetivo de justificar pagamentos. A defesa do servidor não foi localizada

Além disso, Zettel é apontado como responsável por operacionalizar pagamentos ligados a um grupo descrito como milícia privada de Vorcaro, conhecido como “A Turma”. A atuação desse núcleo é considerada relevante para a sustentação financeira das atividades investigadas

As apurações relacionadas ao Banco Master já deram origem a pelo menos três inquéritos principais. Um deles, que trata de suspeitas de fraude na tentativa de aquisição do banco pelo BRB (Banco de Brasília), foi prorrogado por mais 60 dias devido ao volume de provas ainda em análise, incluindo materiais apreendidos e dados sigilosos

Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro, quando tentava embarcar para o exterior no Aeroporto de Guarulhos. A Polícia Federal suspeita que ele pretendia deixar o país, enquanto o empresário afirmou que viajaria para negociar com investidores interessados no banco. Ele foi solto dias depois, mas voltou a ser detido em março durante nova fase da Operação Compliance Zero