A Força Nacional do Sistema Único de Saúde deve deixar Dourados nesta sexta-feira, dia 17 – Foto: João Vitor Moura/MS

A Força Nacional do Sistema Único de Saúde deve encerrar sua atuação em Dourados na próxima sexta-feira, dia 17, conforme decisão do Ministério da Saúde. A medida ocorre em um momento considerado sensível pelas autoridades locais, diante do avanço da chikungunya no município.

A retirada das equipes acontece em meio ao aumento de casos e à confirmação de mortes relacionadas à doença, o que tem ampliado o alerta na rede pública de saúde. O cenário é tratado como crítico, especialmente pela concentração de registros em áreas mais vulneráveis.

A informação sobre a desmobilização foi encaminhada ao Ministério Público Federal por meio de ofício elaborado por integrante do Conselho Municipal de Saúde. No documento, são apontadas preocupações quanto aos impactos da saída das equipes durante a epidemia.

Dados atualizados da Secretaria Municipal de Saúde indicam que Dourados registra 5.303 mil notificações da doença. Desse total, 1.710 casos já foram confirmados, além do registro de dezenas de internações e sete mortes.

Mesmo diante da gravidade da situação, o Centro de Operações de Emergências (COE) informou que ainda não recebeu comunicação oficial sobre a decisão. Ainda assim, o órgão convocou reunião nesta quarta-feira (15) para avaliar o cenário e discutir possíveis medidas.

O conselheiro municipal de saúde Carlos Alberto Vittorati afirmou que a notícia foi recebida com surpresa pelas lideranças locais. Segundo ele, a retirada ocorre justamente quando a demanda por atendimento segue elevada, principalmente entre a população indígena.

A Força Nacional do SUS foi enviada ao município após a decretação de emergência em saúde pública e tem desempenhado papel importante no atendimento direto aos pacientes. A atuação tem sido concentrada, sobretudo, nas aldeias indígenas, onde se encontra a maior parte dos casos.

Para representantes do controle social, a saída das equipes pode agravar ainda mais a situação sanitária. Há o entendimento de que a rede local pode não conseguir absorver integralmente a demanda sem o apoio federal.

No ofício encaminhado ao MPF, Vittorati também alertou para o risco de desassistência, destacando que pacientes em situação mais grave podem enfrentar dificuldades no acesso ao atendimento. A preocupação é de que isso aumente a pressão sobre hospitais e unidades de saúde.

O cenário epidemiológico segue incerto. No início de abril, representantes da própria Força Nacional indicaram que o pico da doença ainda não havia sido atingido, com expectativa de aumento dos casos a partir da segunda quinzena de maio. Diante disso, o documento enviado ao MPF solicita a intervenção do procurador Marco Antônio Delfino, reforçando que a responsabilidade pela saúde indígena é da União e pedindo a reavaliação da retirada das equipes.