Profissionais da imprensa foram impedidos de entrar na sede oficial do governo argentino em mais um caso de censura do governo Milei
O governo argentino decidiu impedir, nesta quinta-feira (23), a entrada de jornalistas credenciados na Casa Rosada, sede do Executivo em Buenos Aires, em meio a uma investigação sobre suposta espionagem ilegal. A medida afeta profissionais que cobrem diariamente o governo e utilizam identificação biométrica para acessar o local.
A decisão foi tomada após uma denúncia da Casa Militar, responsável pela segurança presidencial. O secretário de Comunicação e Imprensa, Javier Lanari, afirmou que a restrição tem caráter preventivo.
“A decisão de remover as impressões digitais dos jornalistas credenciados da Casa Rosada foi tomada como medida preventiva após uma denúncia da Casa Militar sobre espionagem ilegal. O único objetivo é garantir a segurança nacional”, declarou Lanari em publicação na rede social X.
A identificação por impressão digital é o método padrão utilizado para permitir o acesso de jornalistas à sede do governo. Apesar disso, o Executivo não detalhou o andamento da investigação nem divulgou comunicado oficial com esclarecimentos adicionais.
A medida gerou impacto imediato no trabalho da imprensa. “Todos ficaram do lado de fora da sala de imprensa. Me disseram que é temporário”, relatou Lauraro Maislin, jornalista credenciada do canal C5N.
De acordo com veículos argentinos, a investigação pode estar relacionada a duas frentes. Uma delas envolve a suspeita de uma rede de espionagem russa que teria promovido uma campanha midiática contra o presidente Javier Milei em 2024. A outra diz respeito a uma denúncia criminal contra dois jornalistas do canal Todo Noticias, acusados de espionagem após realizarem filmagens em áreas não autorizadas do palácio presidencial.
Outra fonte citada pelo jornal La Nación afirmou que as credenciais de imprensa foram suspensas até que o caso seja esclarecido. “A prorrogação da credencial até 2025 foi revogada e nenhum jornalista terá permissão para entrar até que a questão dos vídeos seja esclarecida”, disse. Anteriormente, o governo havia estendido as autorizações concedidas no ano passado até 2026.
A decisão ocorre em meio a um histórico de tensão entre o governo Milei e a imprensa. Desde que assumiu a presidência, em dezembro de 2023, o mandatário tem feito ataques recorrentes a jornalistas, incluindo declarações ofensivas.
Em relatório recente, a Anistia Internacional alertou para a existência de “processos criminais e assédio judicial” contra profissionais de imprensa na Argentina, destacando preocupações com a liberdade de expressão no país.









