Com 11,5 mil casos prováveis em menos de cinco meses, a doença já atinge 81,4% do total registrado em todo o ano passado
Um homem de 43 anos morreu de chikungunya em Douradina, cidade a 195 km de Campo Grande, no dia 22 de abril. Confirmada nesta quinta-feira (14), esta é a 17ª morte pela doença em Mato Grosso do Sul em 2026 — número igual ao total registrado em todo o ano passado.
A vítima tinha tuberculose, o que pode ter agravado o quadro de saúde. Além de pessoas com comorbidades, idosos e bebês estão no grupo de risco para chikungunya. As outras mortes foram registradas em Dourados (11), Bonito (2), Jardim (2) e Fátima do Sul (1). Outra morte é investigada.
Mato Grosso do Sul somou mais 1.191 casos prováveis em uma semana, chegando ao total de 11.521 registros no ano. O salto foi de 11,5% em apenas sete dias. Em 2025, foram 14,1 mil casos de chikungunya no Estado — ou seja, o registrado em 2026 já corresponde a 81,4% dos casos de todo o ano anterior.
Epidemia de chikungunya?
A incidência de chikungunya em Mato Grosso do Sul chega a 417,9 casos por 100 mil habitantes, o que é considerado muito alto. Infectologistas indicam que incidência acima de 300 pode configurar situação epidêmica da doença, mas a SES não considera que o Estado enfrenta epidemia.
O município de Douradina passou a liderar o ranking de incidência entre as cidades, com 3,8 mil casos por 100 mil habitantes. Em seguida, estão Sete Quedas, Fátima do Sul e Paraíso das Águas.
Apenas Alcinópolis, Aparecida do Taboado e Japorã não registraram casos de chikungunya neste ano. Campo Grande tem 25 casos prováveis, com incidência de 2,8.
Epicentro nacional da chikungunya
Mato Grosso do Sul lidera todos os números relacionados à chikungunya em comparação com os outros estados do país desde o início de 2026.
A incidência no Estado é mais de 20 vezes maior que a média nacional, de 20,1. Mato Grosso do Sul lidera o ranking de incidência, com valor mais de três vezes superior ao segundo colocado. Atrás de MS, estão: Goiás (130,3), Minas Gerais (51,6), Rondônia (43,2), Mato Grosso (23,1), Tocantins (17,1) e Rio Grande do Norte (15,3).
Em todo o Brasil, são 25 mortes confirmadas, 17 apenas em Mato Grosso do Sul — ou seja, 68% das mortes estão concentradas no Estado.
SES nega epidemia em MS
A incidência de chikungunya em Mato Grosso do Sul chega a 417,9 casos por 100 mil habitantes. Em São Paulo, com relação à dengue, bastou que este número passasse de 300 — limite considerado “muito alto” — para que o estado declarasse emergência sanitária pela epidemia da doença.
No entanto, a SES-MS considera que esse é um “parâmetro importante para avaliar a intensidade de transmissão, especialmente no nível municipal, mas não é, de forma isolada, o único critério para caracterizar uma epidemia em nível estadual”.
A pasta lista cinco fatores decisivos para a definição do cenário de epidemia:
- Aumento sustentado de casos em relação à série histórica;
- Dispersão da doença entre os municípios;
- Confirmação da circulação viral;
- Impacto nos serviços de saúde;
- Ocorrência de casos acima do esperado para determinado período e território.
“Os critérios adotados seguem parâmetros nacionais e internacionais, especialmente os estabelecidos pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde, sempre considerando a realidade epidemiológica local”, conclui nota da SES-MS.
Chikungunya mata e causa sequelas

A doença é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e causa dor incapacitante nas articulações, além de febre alta. A orientação principal é procurar um médico imediatamente no primeiro dia de sintomas, principalmente idosos e crianças.
“Ao menor início de febre e dor nas articulações de forma súbita, hoje, no nosso Estado, é chikungunya até que se prove o contrário”, afirma a presidente da Sociedade Sul-Mato-Grossense de Infectologia, médica Andyane Tetila, que atua no HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados).
Geralmente, o quadro de saúde do paciente com chikungunya começa com a febre entre 38°C e 40°C e dor muito forte nas articulações — popularmente chamadas de ‘juntas’. “O início é bastante súbito, a pessoa dorme bem, mas, no meio da noite, acorda com uma dor bastante importante nas articulações”, diz a infectologista.
Segundo o Ministério da Saúde, o vírus chikungunya também pode causar doença neuroinvasiva, que é caracterizada por agravos neurológicos, tais como: encefalite, mielite, meningoencefalite, síndrome de Guillain-Barré, síndrome cerebelar, paresias, paralisias e neuropatias.
Óbitos são recorrentes nos grupos de risco, compostos por pessoas em extremos de idade, como bebês e idosos. Além disso, mais de 50% das pessoas que contraem a doença seguem com os sintomas por anos.
Vacinação

A cidade de Itaporã foi a primeira do Estado a iniciar a vacinação contra a chikungunya. A aplicação começou no dia 18 de abril e, nesta fase, é destinada exclusivamente à população de 18 a 59 anos sem comorbidades. Em Dourados, a vacinação começou no dia 27 de abril e abrange as áreas indígenas e a zona urbana da cidade.
Na última semana, o Ministério da Saúde incluiu Amambai, Batayporã, Douradina e Sete Quedas na estratégia de vacinação contra a doença. O avanço da chikungunya levou a pasta a ampliar a vacinação para esses municípios em situação de epidemia. Ao todo, as cidades receberam 14,4 mil doses.
Entre o público que não pode receber o imunizante, estão gestantes, lactantes, pessoas imunossuprimidas ou em tratamento oncológico, transplantados recentes, pessoas com doenças autoimunes ou determinadas condições crônicas associadas, além de indivíduos com febre ou que tenham recebido recentemente outros tipos de vacina. As orientações seguem a bula aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Como me proteger?

Confira dicas práticas de prevenção, segundo o Ministério da Saúde:
- Mantenha em dia a manutenção das piscinas;
- Estique ao máximo as lonas usadas para cobrir objetos e evitar a formação de poças d’água;
- Guarde garrafas, potes e vasos de cabeça para baixo;
- Descarte garrafas PET e outras embalagens sem uso;
- Coloque areia nos pratos de vasos de planta;
- Guarde pneus em locais cobertos ou descarte-os em borracharias;
- Amarre bem os sacos de lixo;
- Mantenha a caixa d’água, os tonéis e outros reservatórios de água limpos e bem fechados;
- Não acumule sucata e entulho;
- Limpe bem as calhas de casa e as lajes;
- Instale telas nos ralos e mantenha-os sempre limpos;
- Limpe e seque as bandejas de ar-condicionado e geladeira;
- Elimine a água acumulada nos reservatórios dos purificadores de água e das geladeiras.














