Brasil aguarda decisão do presidente dos EUA sobre possível tarifa adicional de 25% sobre exportações brasileiras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participará da próxima cúpula do G7 sem previsão de um encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo a Folha de São Paulo, o governo brasileiro não solicitou uma reunião com o líder estadunidense e tampouco recebeu qualquer sinalização de Washington para uma conversa reservada durante o evento, que será realizado entre os dias 15 e 17 de junho, em Évian-les-Bains, na França.
A avaliação do Palácio do Planalto é que uma nova reunião entre os dois presidentes não é necessária neste momento. O governo considera que os canais diplomáticos e técnicos já estabelecidos após o encontro entre Lula e Trump, realizado em maio na Casa Branca, são suficientes para conduzir as negociações em andamento.
Brasil aposta em negociação técnica
Nos bastidores, auxiliares do governo afirmam que um novo encontro entre Lula e Trump teria pouca utilidade prática, uma vez que as posições brasileiras já foram formalmente apresentadas aos Estados Unidos. A condução das tratativas está a cargo de um grupo de trabalho bilateral criado após a reunião dos dois líderes.
Um dos principais temas em discussão é a investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que poderá resultar na imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O relatório final deverá ser divulgado até 15 de julho, cabendo a Trump a decisão definitiva sobre a adoção da medida.
Em 28 de maio, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, reuniu-se com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, para discutir o assunto. Uma nova rodada de negociações deve ocorrer nas próximas semanas.
G7 como palco de articulação internacional
Embora o Brasil não integre formalmente o G7, Lula participará das discussões sobre crescimento econômico equilibrado e parcerias internacionais. A expectativa é que o presidente utilize o fórum para defender o multilateralismo e criticar práticas protecionistas, sem fazer referências diretas aos Estados Unidos ou a Trump.
De acordo com integrantes do governo, o tom adotado pelo presidente será mais diplomático do que o observado em discursos realizados no Brasil. A estratégia é transmitir preocupações relacionadas ao comércio internacional e ao unilateralismo, preservando o ambiente de diálogo com parceiros estratégicos.
Durante a viagem, Lula também deverá se reunir com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi. Além disso, o governo brasileiro vê a cúpula como uma oportunidade para avançar nas negociações de um possível acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Japão.
Expectativa por decisão de Washington
Enquanto acompanha os debates do G7, o governo brasileiro mantém atenção voltada para os desdobramentos da investigação comercial estadunidense. A expectativa é que os próximos contatos entre autoridades dos dois países ajudem a esclarecer os rumos da negociação antes da divulgação do relatório final do USTR.
A participação de Lula na cúpula ocorre em um momento de crescente tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, mas a aposta do Planalto segue sendo a diplomacia e a negociação como caminhos para evitar uma escalada nas divergências econômicas.













