
Levantamento mostra queda do pré-candidato do PL em segmentos estratégicos e avanço de Lula em cenários de segundo turno
A mais recente pesquisa Quaest revela mudanças importantes no cenário da disputa presidencial de 2026. O levantamento indica que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu apoio em grupos que vinham sustentando seu desempenho eleitoral, especialmente entre evangélicos, jovens, mulheres e eleitores da região Sudeste. O movimento ajuda a explicar a abertura de vantagem de seis pontos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno.
Segundo o G1, os dados detalhados por região, faixa etária, renda, escolaridade e religião mostram uma redução da força eleitoral do pré-candidato do PL em segmentos considerados estratégicos. De acordo com a análise da Quaest, a mudança não decorre apenas do crescimento de Lula, mas também de uma perda de apoio de Flávio Bolsonaro entre eleitores que não se identificam necessariamente com o campo da esquerda.
Sudeste e Centro-Oeste/Norte registram queda de Flávio Bolsonaro
O enfraquecimento do senador aparece de forma mais clara no Sudeste e no agregado das regiões Centro-Oeste e Norte. O Sudeste reúne os dois maiores colégios eleitorais do país, São Paulo e Minas Gerais, tornando-se uma área decisiva para qualquer candidatura presidencial.
De acordo com o diretor da Quaest, Felipe Nunes, a mudança de cenário é evidente nesses recortes regionais. “Regionalmente, a abertura de vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no cenário de segundo turno aparece com clareza no Sudeste e no agregado Centro-Oeste/Norte. Nos dois casos, a queda de Flávio é maior do que o avanço de Lula, o que sugere perda líquida de apoio do senador nesses recortes.”
No Sudeste, Flávio vinha liderando as intenções de voto desde abril, chegando a abrir uma vantagem de 12 pontos sobre Lula. No entanto, a tendência se inverteu nos últimos meses, levando os dois candidatos a uma situação de empate técnico.
No Centro-Oeste e Norte, o movimento foi semelhante. O pré-candidato do PL registrou queda de oito pontos em relação ao levantamento anterior. Em maio, mantinha uma vantagem de 14 pontos sobre Lula; agora, a diferença caiu para apenas dois pontos, dentro da margem de erro.
Jovens deixam de ser vantagem para o senador
Outro dado que chamou atenção foi a mudança entre os eleitores mais jovens. A pesquisa mostra que Lula passou a liderar numericamente em todas as faixas etárias analisadas. Entre os brasileiros de 16 a 34 anos, grupo em que Flávio Bolsonaro mantinha vantagem nas três rodadas anteriores do levantamento, ocorreu uma virada. Lula assumiu a dianteira, revertendo o cenário que favorecia o senador.
“Entre as faixas etárias, o grupo de 16 a 34 anos é o exemplo mais forte da virada. Depois de três rodadas consecutivas com vantagem numérica de Flávio, Lula passa à frente nesse segmento”, avaliou. Nas demais faixas etárias, o presidente manteve desempenho estável ou ligeiramente superior ao do adversário.
Mulheres ampliam vantagem para Lula
O eleitorado feminino continua sendo um desafio para a família Bolsonaro. Segundo a pesquisa, a vantagem de Lula entre as mulheres aumentou em relação aos levantamentos anteriores.
Entre os homens, Flávio Bolsonaro ainda aparece numericamente à frente, com 44% das intenções de voto contra 41% de Lula. No entanto, a diferença está dentro da margem de erro de três pontos percentuais, configurando empate técnico. Em maio, o senador possuía uma vantagem mais confortável nesse segmento.
Apoio entre evangélicos diminui
A pesquisa também identificou uma redução significativa da vantagem de Flávio Bolsonaro entre os eleitores evangélicos, tradicionalmente considerados uma base importante para o bolsonarismo.
Embora continue liderando nesse grupo, o senador registrou queda de nove pontos em relação ao levantamento anterior. A diferença para Lula, que era de 37 pontos em maio, caiu para 21 pontos em junho. O resultado sugere um enfraquecimento da capacidade de mobilização do pré-candidato em um dos segmentos mais relevantes para sua estratégia eleitoral.
Mudanças por renda e escolaridade
A Quaest também registrou perda de desempenho de Flávio Bolsonaro entre eleitores com renda superior a dois salários mínimos e entre aqueles com escolaridade a partir do ensino médio.
No grupo com renda entre dois e cinco salários mínimos, houve inversão da liderança: Lula passou à frente do senador. Já entre os brasileiros com renda superior a cinco salários mínimos, Flávio segue liderando, embora tenha apresentado recuo em comparação aos levantamentos anteriores.
No recorte por escolaridade, Lula mantém vantagem entre os eleitores com ensino fundamental. Já entre aqueles com ensino médio e superior, o cenário evoluiu para empate técnico.
A mudança mais expressiva ocorreu entre os brasileiros com ensino superior. Em maio, Flávio Bolsonaro liderava com uma diferença de 15 pontos. Agora, a vantagem caiu para apenas três pontos, também dentro da margem de erro.
Para Felipe Nunes, o aspecto mais relevante do levantamento é que a queda de Flávio Bolsonaro ocorre em grupos que não são tradicionalmente alinhados ao presidente Lula.
“A pesquisa indica que a abertura de vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no cenário de segundo turno está associada a uma perda de tração de Flávio em segmentos fora do núcleo lulista, especialmente entre eleitores independentes. Esse é um dado relevante para acompanhar nas próximas rodadas, porque pode indicar uma mudança no comportamento de grupos menos alinhados ideologicamente”, afirmou.












