Negociações envolvem sanções, ativos congelados e programa nuclear iraniano
Estados Unidos e Irã deram novos passos rumo a um acordo preliminar para encerrar meses de confrontos, embora ainda persistam divergências sobre o cronograma para a formalização do entendimento. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (14) que o acordo estaria próximo de ser assinado, enquanto autoridades iranianas mantêm cautela e dizem que a data ainda não foi definida.
Negociadores do Catar viajaram a Teerã neste domingo em uma tentativa de concluir os detalhes do pacto que busca reduzir as tensões entre os dois países, destaca o Valor Econômico, citando agências internacionais.
Trump declarou em sua rede Truth Social que a assinatura do acordo preliminar estava prevista para este domingo. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, também afirmou que seu governo se preparava para uma assinatura eletrônica, seguida de negociações técnicas previstas para a próxima semana.
Teerã evita confirmar data para assinatura
Apesar do otimismo demonstrado por Washington, o governo iraniano não confirmou a data mencionada por Trump. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou à mídia estatal que a assinatura “não seria amanhã”, embora pudesse ocorrer “nos próximos dias”.
A agência iraniana Fars informou neste domingo que Teerã ainda não tomou uma decisão definitiva sobre o acordo-quadro. Segundo a publicação, análises dos aspectos políticos, jurídicos e técnicos continuam em andamento nos níveis técnico e decisório do governo.
Sanções e ativos congelados estão no centro do pacto
De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, a proposta prevê a liberação de cerca de US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados no exterior. Em troca, o Irã assumiria compromissos relacionados ao seu programa nuclear e a medidas de redução das tensões regionais.
Os termos preliminares também incluem a suspensão de sanções que afetam as exportações de petróleo iranianas, um dos principais pontos de interesse de Teerã nas negociações.
Estreito de Ormuz é peça-chave nas negociações
Outro ponto central das tratativas envolve o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela significativa do petróleo comercializado mundialmente.
Trump afirmou anteriormente que, após a assinatura do acordo preliminar, o estreito seria imediatamente reaberto à navegação internacional. Fontes ligadas às negociações disseram que os Estados Unidos suspenderiam o bloqueio naval assim que a passagem fosse liberada.
Um funcionário americano ouvido pela Reuters afirmou que “o Irã vai abrir o Estreito de Ormuz, essa é uma exigência. Ele poderia ser aberto sem pedágio. Assim que isso acontecer, nós suspenderemos nosso bloqueio.” Segundo a mesma fonte, uma etapa posterior incluiria operações para remoção de minas marítimas da hidrovia, possivelmente com participação de países do G7.
Programa nuclear será discutido em segunda fase
As negociações sobre o programa nuclear iraniano devem ocorrer em uma etapa posterior, prevista para durar cerca de 60 dias.
Uma autoridade iraniana informou à Reuters que Teerã concordou em manter o atual status de suas atividades nucleares até a conclusão de um acordo definitivo. Isso incluiria a suspensão de qualquer ampliação do enriquecimento de urânio ou da expansão de instalações nucleares.
Já autoridades americanas afirmam que o objetivo final é desmantelar o programa nuclear iraniano, incluindo a eliminação dos estoques de urânio altamente enriquecido.
Segundo dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), antes dos ataques israelenses de junho de 2025 o Irã possuía aproximadamente 440,9 quilos de urânio enriquecido a até 60% de pureza. O governo iraniano, por sua vez, segue sustentando que seu programa nuclear possui finalidade exclusivamente civil e pacífica.
Confrontos continuam apesar do avanço diplomático
Mesmo com a aproximação entre os dois países, os confrontos não cessaram completamente. Segundo informações militares americanas, forças dos Estados Unidos interceptaram drones iranianos que se dirigiam ao Estreito de Ormuz na manhã de sábado (13).
Ao mesmo tempo, Israel anunciou ataques contra alvos do Hezbollah nos arredores de Beirute. O governo israelense alegou que o grupo aliado do Irã havia lançado projéteis contra o norte do país.
Os episódios evidenciam a fragilidade do processo de negociação e as dificuldades para consolidar um acordo duradouro na região.
Conservadores iranianos pressionam contra acordo
Além dos desafios diplomáticos, o governo iraniano enfrenta resistência interna. Durante manifestações pró-governo realizadas na noite de sábado, grupos conservadores contrários ao acordo expressaram publicamente sua insatisfação. Segundo relatos obtidos pela Reuters na cidade de Mashhad, manifestantes entoaram palavras de ordem contra integrantes do governo envolvidos nas negociações.
As manifestações revelam a oposição de setores linha-dura a qualquer entendimento com Washington, mesmo diante da perspectiva de alívio econômico por meio da suspensão de sanções e da liberação de recursos financeiros congelados.













