Em pronunciamento, senador rebate reportagem da Veja e afirma jamais ter recebido recursos do dono do Banco Master
O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), negou nesta terça-feira (16) ter recebido US$ 30 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Em pronunciamento no plenário da Casa, segundo o G1, o parlamentar classificou como falsas as acusações divulgadas pela revista Veja e afirmou que jamais recebeu qualquer valor do empresário.
Segundo reportagem da revista Veja, Vorcaro teria relatado a autoridades, durante negociações para um acordo de delação premiada, que realizou uma transferência milionária para uma conta no exterior supostamente destinada a Alcolumbre. A publicação sustenta que o pagamento teria sido uma contrapartida por uma atuação do senador em favor de interesses do Banco Master.
Alcolumbre rebate acusações e fala em tentativa de difamação
Ao abordar o tema no plenário, Alcolumbre repudiou o conteúdo da reportagem e afirmou que a acusação não é acompanhada de qualquer elemento comprobatório. “Eu repudio, com toda a firmeza, e com toda a indignação o conteúdo desta matéria. Jamais recebi aqueles valores ou outros quaisquer, no Brasil ou no exterior, por qualquer motivo que seja”, declarou.
O senador também criticou a divulgação da denúncia sem a apresentação de provas. “São alegações falsas, com a única e aparente intenção de arrastar o meu nome para lama. É espantoso e revoltante que uma acusação dessa gravidade seja publicada sem qualquer prova, sem qualquer evidência, contra um chefe de Poder”, afirmou.
Alcolumbre disse que, caso a declaração atribuída a Vorcaro conste efetivamente de documentos oficiais, demonstrará sua falsidade. Por outro lado, afirmou que, se a informação não estiver registrada em eventual acordo de colaboração premiada, a situação será ainda mais grave.
“Se esse fato sequer constar de um acordo de colaboração, se não tiver sido dito pelo colaborador, por sua defesa ou pela autoridade responsável pela condução desse procedimento, então estaremos diante de uma situação muito mais grave. Porque não estaremos diante apenas de uma acusação falsa contra o presidente do Senado Federal. Estaremos diante da invenção de um fato inexistente e da tentativa de atribuir esse fato a um procedimento oficial para lhe conferir aparência de verdade.”
O presidente do Senado também questionou os interesses por trás da divulgação da denúncia. “A quem interessa caluniar o presidente do Congresso Nacional? Quem se beneficia de tentar usar a imprensa para intimidar o chefe do Poder Legislativo?”
Apoio de governistas e oposicionistas
Após o pronunciamento, senadores de diferentes correntes políticas manifestaram solidariedade a Alcolumbre. O apoio reuniu parlamentares da base do governo e da oposição. O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que acusações dessa natureza precisam ser acompanhadas de elementos mínimos de comprovação.
“A indignação que vossa excelência expressa aqui é uma indignação que eu acho que deve ser assinalada por todo o Congresso Nacional. Qualquer acusação, seja de quem for, ela tem que ter um lastro probatório mínimo, sobretudo quando essa acusação vai contra uma figura pública e sobretudo ao presidente do Congresso Nacional”, disse Randolfe.
Rodrigo Pacheco critica eventual fabricação de acusações
O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) também saiu em defesa de Alcolumbre. Segundo ele, caso a informação divulgada não tenha sido efetivamente apresentada pelo colaborador, por sua defesa ou pelas autoridades responsáveis pela investigação, o episódio configuraria uma situação extremamente grave.
“Se nós estamos eventualmente diante de um fato que não tenha sido alegado pelo colaborador, por seu advogado, que não tenha sido alegado pelas autoridades responsáveis pelo processo de investigação, seja policial, seja o Ministério Público, que não existe num mundo jurídico e nem num mundo real, é um fato inventado e levado a uma imprensa de grande circulação para que o Brasil todo ouça esse fato inverídico.”
Pacheco acrescentou que uma eventual fabricação da acusação representaria uma tentativa de constrangimento institucional contra o Senado. “Aí constitui uma ofensa, uma coação, um constrangimento, a busca de uma criminalização de um chefe do poder, de um presidente do Senado, que por algum motivo está sendo coagido a partir de um expediente mafioso, de gangsterismo.”
Esperidião Amin questiona origem das acusações
O senador Esperidião Amin (PP-SC), integrante da oposição, também criticou a denúncia e afirmou que o Congresso Nacional tem sido alvo frequente de acusações surgidas em negociações de delações premiadas. “Não saiu de uma CPI. Saiu do que? Quem é que negocia uma delação? É a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, sob os auspícios do Judiciário.”
Amin argumentou ainda que o Legislativo é frequentemente colocado no centro desse tipo de controvérsia. “Ou seja, não sai dessa delação nada a respeito de juiz. Não sai nada a respeito de empresário, o alvo é o Congresso.”













