Relatório do CNJ aponta que magistrados de Mato Grosso do Sul ocupam a terceira posição no ranking nacional de custo médio, com despesa mensal superior a R$ 154 mil por juiz

Os magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) continuam entre os mais bem remunerados do Brasil. Dados do relatório Justiça em Números 2026, divulgado nesta quarta-feira (24) pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mostram que o custo médio mensal dos 217 juízes e desembargadores do Estado foi de R$ 154.153 durante o ano de 2025.

Embora tenha perdido uma posição no ranking nacional, Mato Grosso do Sul permanece entre os tribunais com maior custo por magistrado. O Estado caiu do segundo para o terceiro lugar, sendo ultrapassado por Mato Grosso, enquanto o Rio de Janeiro segue liderando a lista.

O levantamento aponta que os magistrados fluminenses tiveram custo médio mensal de R$ 209.583, enquanto Mato Grosso registrou R$ 177.613. Em seguida aparece Mato Grosso do Sul, com R$ 154.153, valor 31% superior à média nacional, fixada em R$ 117.860.

Crescimento abaixo da média nacional

Apesar da posição de destaque, o crescimento das despesas com magistrados em Mato Grosso do Sul foi modesto. Segundo o CNJ, o custo médio aumentou apenas 1,95% em relação a 2024, quando era de R$ 151.256.

No restante do país, a alta média foi de 22,4%, impulsionada principalmente pelo pagamento de verbas indenizatórias e benefícios conhecidos como “penduricalhos”.

Mesmo com o avanço discreto, o custo dos magistrados sul-mato-grossenses permanece 157% superior ao registrado em Goiás, Estado que aparece na última posição do ranking, com média de R$ 60.008 por magistrado.

O que compõe esses valores

O CNJ esclarece que os números não representam apenas salários. O cálculo inclui remuneração, verbas indenizatórias, encargos sociais, previdência, imposto de renda, diárias, passagens aéreas, além dos pagamentos destinados a aposentados e pensionistas.

Segundo o Conselho, essas diferenças podem impactar significativamente a comparação entre os tribunais estaduais.

Limitação dos “penduricalhos” deve reduzir despesas

Os números ainda refletem pagamentos realizados antes da entrada em vigor da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que passou a limitar, desde maio deste ano, o pagamento de verbas indenizatórias que elevavam significativamente os vencimentos dos magistrados.

Levantamento realizado pelo Correio do Estado mostra que, em abril, os desembargadores do TJMS receberam, em média, R$ 195 mil. Após a restrição imposta pelo STJ, esse valor caiu para aproximadamente R$ 75 mil em maio, redução próxima de 60%.

A expectativa é que o impacto da nova regra seja refletido no relatório do CNJ referente a 2026.

Servidores também aparecem entre os mais caros

O levantamento também revela que os 5.838 servidores do Judiciário sul-mato-grossense figuram entre os mais bem remunerados do país.

O custo médio mensal foi de R$ 25.484 por servidor, fazendo Mato Grosso do Sul cair da quinta para a sexta posição nacional. O Rio de Janeiro lidera esse ranking, com média de R$ 36.252.

Em relação ao ano anterior, o aumento foi de aproximadamente R$ 400 por servidor. A média nacional ficou em R$ 21.639, enquanto o salário mínimo em 2025 era de R$ 1.518.

Custas judiciais também estão entre as maiores do Brasil

Além da elevada folha de pagamento, o CNJ destaca que Mato Grosso do Sul também figura entre os Estados com as custas judiciais mais altas do país.

Segundo o relatório, estudo realizado pelo Conselho identificou que os maiores valores cobrados em custas iniciais e taxas judiciárias mínimas são praticados pelos tribunais do Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, fator que contribui para elevar o custo de acesso da população ao Poder Judiciário.