Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ex-assessora do ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL), colocaram o ex-deputado federal Eduardo Cunha no centro das investigações da Operação Transparência.

Com base nas informações reunidas pela PF, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou o bloqueio de bens de Cunha até o limite de R$ 6 milhões, valor que, segundo a investigação, corresponde às emendas parlamentares supostamente articuladas pelo ex-parlamentar, mesmo sem ocupar cargo eletivo.

De acordo com a Polícia Federal, os diálogos indicam que Cunha atuava na indicação de emendas parlamentares destinadas a municípios de Minas Gerais utilizando documentos supostamente forjados para ocultar o verdadeiro responsável pelas solicitações dos recursos.

A investigação aponta que o ex-deputado teria administrado uma espécie de “cota informal” de emendas, direcionando recursos conforme interesses políticos no Estado. Ao todo, a PF apura a destinação de 21 emendas parlamentares, que somam R$ 6,15 milhões.

Conversas

Em uma das mensagens analisadas, Cunha reclama de dificuldades com prefeitos mineiros e sugere substituir uma emenda destinada a Governador Valadares.

Em outro diálogo, referente ao município de Manhuaçu (MG), ele pede que fosse providenciado um ofício em nome de outro parlamentar para atribuir a autoria da emenda e evitar questionamentos sobre sua origem.

Segundo a Polícia Federal, as conversas revelam tentativas de alterar a identificação dos autores das indicações e mostram que Mariângela Fialek atuava para atender às demandas apresentadas por Cunha.

Os investigadores também afirmam que o ex-deputado utilizava um telefone registrado em nome de sua companheira, Claudia Cordeiro Cruz, mas sustentam que o conteúdo das conversas demonstra seu envolvimento direto nas articulações.

Defesa

Em nota, a defesa de Eduardo Cunha afirmou desconhecer qualquer irregularidade na tramitação das emendas parlamentares.

Os advogados sustentam que o valor de R$ 6,15 milhões corresponde ao montante global das emendas destinadas a municípios e outros beneficiários públicos e ressaltam que a decisão judicial não atribui ao ex-deputado o recebimento de qualquer vantagem financeira.

A Operação Transparência continua em andamento e a Polícia Federal apura a participação de outros envolvidos no suposto esquema de direcionamento de emendas parlamentares.

Com informações do G1