As aulas presenciais voltaram na rede estadual de ensino e retornam na rede municipal no próximo dia 16 de agosto. Pesquisa Datafolha “Onde e como estão as crianças e adolescentes enquanto as escolas estão fechadas?”, feita entre 16 de junho e 7 de julho, que ouviu responsáveis por crianças e adolescentes de 4 a 18 anos da rede pública de todo o país, revela que 75% sente falta das aulas presenciais ou de algum professor e 60% sentem falta do ambiente escolar e dos colegas.
Porém, muitas famílias e os próprios alunos têm receio dos riscos que ainda persistente com a pandemia da Covid-19. “Eu acredito que deveria retornar somente quando os alunos estivessem vacinados”, diz Silvana Santos Mendes, mãe do Guilherme, de 12 anos, que cursa a 7° série na Escola Armando Campos Belo. A mãe diz que o garoto optou pela volta presencial para rever os amigos e não muito por causa das aulas.
“Eu percebo várias opiniões divergentes. Alguns estão gostando da volta do presencial. Outros alunos estão receosos e optaram por não voltar. Estão com medo. Principalmente, aqueles que tiveram algum parente ou familiar que teve Covid e a família sofreu, são mais resistentes em voltar ao presencial”, conta o professor de educação física da Escola Estadual Vilmar Vieira Matos Genuir Civa Faqui.
Para o educador, aproximadamente 40% dos alunos ainda tem medo da volta à sala de aula por conta do coronavírus. “Eu discordo um pouco dessa volta às aulas agora. Ainda não era a hora certa de voltar. Deveríamos esperar um pouquinho mais, quando, ao menos, todos os professores tivessem imunizados com a segunda dose. Que tivéssemos um ambiente mais favorável, que estivéssemos mais controlados na questão da pandemia. Eu acho que é bem arriscado voltar agora. Se esperássemos mais um pouco seria mais seguro, mais proveitoso e teria mais adesão das famílias”, afirma Genuir.
**Desafios na educação durante a pandemia **
De acordo com a pesquisa Datafolha, pais e responsáveis apontaram que 94% das crianças ou adolescentes tiveram alguma mudança de comportamento durante a pandemia. A maioria (56%) teve ganho de peso, 44% sentiram tristeza, 38% manifestam mais medo e 34% teriam perdido o interesse pela escola. Silvana observou que nesse tempo de pandemia o filho ganhou peso, mostrou desinteresse e dorme mais.
“Realmente, a gente percebe uma grande quantidade de alunos bem apreensivos, ansiosos. Nas aulas online, os alunos demonstravam ansiedade, inquietude de ficar em casa, resolverem as atividades em casa. Eles tiveram dificuldades de aprender. Eles faziam, tiravam dúvidas conosco, mas estavam muito chateados”, analisa o professor Genuir Faqui. No entanto, ele esclarece que “nós fizemos um trabalho bem ajustado com as famílias. E tivemos um grande resultado, da maioria dos alunos devolverem no prazo as atividades que eram propostas pela escola, pelos professores. Então nós alcançamos uma média de 90 a 95% de entregas dentro do prazo e resolvidas”.
O educador físico relata que “os poucos [alunos] se se evadiram da escola, do ensino médio, não conciliaram mais estudo e trabalho. Às vezes, os pais perderam o emprego e tiveram que sustentar a casa com o trabalho deles. Então ficaram sobrecarregados e desistiram da escola. Porém foram bem poucos. São casos isolados, até porque a gente sempre tentou buscar, conciliar, ponderar com esses que trabalham atividades diferenciadas para que não desistissem da escola. Tivemos pouca evasão”.
Segundo Genuir, os profissionais se desdobraram durante a pandemia. “Nós fizemos o máximo. Embora não seja visível para a sociedade, mas os professores trabalharam e trabalharam muito em casa. Foi bem árduo. Não é reconhecido, não é visto pela sociedade esse trabalho inquietante que tivemos. Às vezes, chegam a comentar que professor não trabalhou nesse tempo de pandemia. Muito pelo contrário, a escola, os professores trabalharam, buscaram todas as formas as plataformas possíveis, as tecnologias, tiveram que aprender novos ambientes virtuais para a educação. Muito se deve ao esforço da educação”, diz o docente. A mãe de aluno Silvana corrobora com o cenário: – “Para mim foi um desafio grande estudar com ele, pois não e fácil ensinar. Porque a ansiedade, a cobrança e o desafio são grandes. Eu imagino os pais que não possuem o conhecimento. Até falo para ele que os professores merecem um troféu todo ano”.
Fonte: Dourados Agora













