Abalados pela morte da menina de 11 anos na noite deste domingo (11) no Bairro Nossa Senhora das Graças, em Campo Grande, vizinhos da família se reuniram em frente à residência na manhã desta segunda-feira (12) em busca de respostas para o crime. Segundo os moradores, “ela era como uma mãe para os irmãos” e tinha o apelido de estrelinha, por ser vista dando piruetas ao brincar com as outras crianças na rua.

Uma equipe da Polícia Militar esteve na residência pela manhã – que ainda estava bagunçada e com manchas de sangue pelos cômodos – fazendo buscas na região pelo suspeito, além de policiais do GOI (Grupo de Operações e Investigações). Um dos moradores, de 49 anos, disse ter ajudado a arrombar a porta após a mãe desconfiar que a menina estava morta no interior da casa, e disse que é recorrente a presença de pessoas desconhecidas no local.

“Eu tentava ajudar e dar conselhos. Ela [a vítima] era uma mãe para os irmãozinhos, era uma menina feliz e sempre estava cuidando deles”, relembra o vizinho, que disse que a família morava há três anos no local.

 

Já uma amiga e ex-vizinha da mãe da , de 66 anos, afirmou que logo após encontrar a menina morta, a mãe teria ido até sua residência e pedido para que ela ficasse com as crianças. “Ela chegou me chamando, dizendo que estupraram e mataram a menina. Eu não acreditei! Ela queria que eu pegasse as outras crianças para que ela não perdesse a guarda os filhos. A gente fica muito triste, porque era uma menina alegre”, lamenta.

Casa estava bagunçada na manhã desta segunda-feira. (Foto: Henrique Arakaki – Jornal Midiamax)

Outro morador, de 41 anos, disse ter visto a menina no dia do crime, horas antes, passeando alegre pela rua ao voltar de uma festa da igreja que frequentava. Ele afirmou ter ficado chocado ao saber da , já que a menina era alegre, conversava com os moradores de toda a rua e era estudiosa.

Conhecida da família quando a menina ainda era bebê, outra moradora, de 54 anos, disse que chamava ela de ‘estrela’, pelo fato dela sempre estar brincando na rua com as crianças, dando piruetas e ‘virando estrelinha’. Abalada, ela não segurou o choro e também disse que a criança era muito feliz.

 

Mãe foi presa por abandono de incapaz

A mãe prestou depoimento por cerca de 40 minutos, na manhã de hoje na Deam (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher). Segundo a delegada Karen Viana de Queiroz, ela seria garota de programa e o trabalho da polícia na identificação do suspeito é dificultada devido ao constante fluxo de pessoas na residência.

Na noite do crime, a mãe teria ido para um bar ingerir bebidas alcoólicas e deixado as crianças sozinhas, trancadas dentro de casa. A delegada explicou que a menina de 11 anos estava com diversos ferimentos pelo corpo, mordidas e com as partes íntimas dilaceradas. Há indícios de estupro, mas a polícia aguarda a confirmação através de laudos periciais.

Mãe da criança foi presa por abandono de incapaz. (Foto: Henrique Arakaki – Jornal Midiamax)

Segundo vizinhos que também prestaram depoimento, a situação é recorrente e esta não seria a primeira vez que a mãe deixou os três filhos sem a companhia de um adulto, aos cuidados da irmã mais velha, de 11 anos. A menina foi encontrada seminua após um vizinho ouvir o choro do irmão mais novo.

 

Equipes de resgate do Corpo de Bombeiros e Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) tentaram reanimação por cerca de uma hora, mas a criança já estava morta. O crime chocou até mesmo os socorristas, e os policiais que atenderam à ocorrência.

Ainda segundo a delegada, a suspeita é de que o autor tenha entrado na casa pelos fundos, já que era utilizado uma máquina de lavar para segurar a porta dos fundos. Já a porta da frente, ficaria trancada. Testemunhas também confirmaram que a mãe estava no bar citado, o que faz com que a polícia não trabalhe com a hipótese de que ela esteja envolvida no crime.

Os irmãos menores da vítima ficaram aos cuidados do Conselho Tutelar. A delegada representou pela prisão preventiva da mãe. Segundo Karen, no imóvel não tinha alimento para as crianças, que viviam em situações precárias.

A mãe também não suspeita quem possa ser o autor do crime. Segundo a delegada, durante o depoimento, ela chegou a ficar abalada, mas tentava culpar terceiros por não ter visto o autor entrar no imóvel. O pai da menina faleceu há cerca de dois anos.

Vizinhos ouviram choro de bebê

Um homem relatou que encontrou a mãe da vítima em um bar, por volta das 19h30, e por volta das 22h foram até a residência dela. Ao chegarem, a mãe chamou a filha para que abrisse a porta e ela não respondia, momento em que ela deu a volta na casa e entrou pela porta dos fundos.

A mãe teria encontrado a filha caída no chão da cozinha e começado a gritar por socorro. O homem que a acompanhava chamou um vizinho, que arrombou a porta, e em seguida acionaram a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros.

A mãe não soube precisar que horas saiu e deixou a vítima e seus outros filhos sozinhos. Segundo os policiais, ela aparentava estar embriagada e agressiva, e tentou sair do local, mas foi algemada e encaminhada para a Deam (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher) para prestar esclarecimentos.

Duas testemunhas, vizinhas da residência, informaram que a mãe foi até a casa delas pedindo socorro, pois teria encontrado a filha no chão da cozinha, e parecia ter sido estuprada e morta. Outro vizinho informou que o suposto autor estaria com calça jeans desbotada, camiseta preta e boné verde.

O vizinho relatou que havia discutido com a mãe da criança há alguns meses, e por isso não teria pedido ajuda. Entretanto, ele disse ter ouvido quando o suspeito chamou a mãe da menina no portão dizendo que precisava entregar um dinheiro a ela, mas a filha teria atendido e dito que a mãe não estava em casa.

Cerca de 15 minutos depois, o vizinho disse ter ouvido o irmão da vítima chorando, ter saído no portão e visto o homem saindo da residência, andando rápido e olhando para trás. O Conselho Tutelar também foi acionado. O caso foi registrado como estupro de vulnerável, abandono de incapaz e homicídio majorado contra pessoa menor de 14 anos.