Paulo Gonet diz não haver provas de que ex-presidente tenha pedido para incluir informações falsas no sistema do Ministério da Saúde

A PGR (Procuradoria Geral da República) pediu nesta 5ª feira (27.mar.2025) que o STF (Supremo Tribunal Federal) arquive a investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre fraudes no seu cartão de vacinação.

Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não há indícios para comprovar que Bolsonaro pediu a inserção de dados falsos a respeito das vacinas contra a Covid-19 no sistema do Ministério da Saúde. Leia a íntegra da manifestação (PDF – 378 kB).

“Diante da ausência de elementos que justifiquem a responsabilização de Jair Messias Bolsonaro e Gutemberg Reis de Oliveira pelos crimes de inserção de dados falsos em sistema de informações, promovo o arquivamento do inquérito no que tange a esses dois investigados”, declarou Gonet.

A investigação da PF (Polícia Federal) apontou um esquema de inserção de dados falsos sobre vacinação nos sistemas da Saúde que seria comandado pelo então ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid. Em depoimento à corporação, Cid afirmou que teria inserido as informações a mando do ex-presidente.

Na manifestação, Gonet disse que a delação de Cid não foi corroborada por outras provas e que, por esse motivo, não pode apresentar uma denúncia contra Bolsonaro. O procurador-geral afirmou que a situação se difere da acusação penal por tentativa de golpe de Estado, recebido pelo STF na 4ª feira (26.mar), “em que provas convincentes e autônomas foram produzidas pela PF, em confirmação dos relatos do colaborador”.

Quanto ao deputado Gutemberg Reis (MDB-RJ), que também foi citado por Cid como um dos beneficiados pela fraude, Gonet conclui que há consideráveis elementos de convicção no sentido de que ele se vacinou. Citou publicações do congressista nas redes sociais incentivando a imunização, o que configuraria ausência de vantagens.