Deputada Gleice Jane (PT) usou a tribuna para falar sobre a ameaça de morte que recebeu. (Reprodução)

Parlamentar foi ameaçada de morte por mensagem no WhatsApp

Além de registrar um boletim de ocorrência na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, a deputada estadual Gleice Jane (PT) também procurou a Polícia Federal, na manhã desta terça-feira (9), para que a ameaça de morte feita a ela através do WhatsApp seja investigada.

A parlamentar usou a tribuna na Alems (Assembleia Legislativa) hoje para falar sobre o ocorrido. As ameaças ocorreram no domingo, mesmo dia do registro do b.o. “Não é normal a misoginia no espaço político, é preciso recuperar o espaço democrático dentro dos partidos. O que aconteceu comigo não foi diferente em outros estados, vimos acontecer violência de política de gênero contra vereadoras, prefeitas, todas elas de com a intenção de amedrontar, de xingar, de que a gente silencie”.

Ainda segundo Gleice, ela foi à superintendência da PF para que seja investigado o caso. “Porque trata de crime político, envolve política, exigimos que seja apurado o crime e não é porque se trata de parlamentar, mas porque sou mulher. Esse tipo de ameaça me faz acreditar que nós mulheres precisamos nos unir contra esse tipo de misoginia”.

Ela finaliza dizendo que a política não foi feita para mulheres. “Costumo dizer que estamos aqui de atrevidas, estamos numa história lenta, com três parlamentares na Alems, mas a política precisa de nós e mudamos a politica e por isso sentimos muita resistência no nosso espaço. Não é sobre mim, é sobre nós”.

Apoio e solidariedade

Alguns parlamentares se solidarizam com a situação. Pedro Kemp (PT) afirmou que não se pode admitir de forma alguma agressão e ameaças. “Estamos vivendo momento preocupante, exigimos nas ruas política pública, temos falhas no protocolo de atendimento que resulta na morte de mulheres”.

Lia Nogueira (PSDB) falou que esta é a segunda legislatura com três mulheres deputadas. Ao todo, são 24 deputados estaduais. “Estamos ai para romper bolhas, precisamos avançar ainda mais. Vivemos um momento em que vemos uma mulher sendo arrastada viva, é uma barbárie, vem violência como essa na rede social. Precisamos nos unir para dar um basta nisso tudo”.

Zeca do PT disse também receber ameaças. “Não se intimide, eu sei que é pesado, o que esses canalhas querem é nos intimidar, eu recebo muito, eu falo o que me vem na cabeça, falo palavrão, ‘venha falar na minha cara que eu te dou uma surra que você volta sangrando para casa’”.

Rinaldo Modesto (PSDB) afirmou que violência é um assunto mais discutimos no mandato atual. “A gente precisa ser contra por qualquer tipo de afronta, temos que trabalhar na perspectiva da educação, trabalhar nas duas pontas, leis rígidas, sou favorável ao plebiscito, a pena perpetua para quem comete feminicídio”.

Paulo Corrêa (PSDB) disse à Gleice que ela agiu de maneira correta. “A senhora fez certo, boletim de ocorrência, isso é caso de polícia, não pode dar força para bandido fazer o que quer”.