Advogado é servidor da Câmara e teria sido ameaçado de representação por Pollon durante ligação
A sessão da Comissão de Ética da Câmara dos Deputados suspendeu as oitivas que apuram a ocupação da Mesa Diretora, em agosto deste ano, após a defesa de Marcos Pollon (PL-MS) renunciar ao caso, depois de relatar ameaças do parlamentar.
O advogado Clebson Gean da Silva Santos, servidor da Câmara, foi arrolado pela Casa para defender Pollon, que apresentou atestado e não compareceu à reunião. Durante a sessão, na manhã desta sexta-feira (12), o advogado ligou para o parlamentar antes de desistir da causa.
“Eu recebi a orientação aqui para seguir as prerrogativas da advocacia e manifestar que, realmente, eu não tenho condição de continuar na defesa do representado [Pollon]. O representado me ligou ameaçando-me de representação. E eu creio que, no exercício do serviço público, da função de advogado da Casa, eu não vou ficar submetido a uma ameaça”, afirmou ao presidente da comissão, deputado Marcelo Freitas (União-MG).
Com isso, após suspensão de uma hora, a comissão decidiu encerrar a reunião desta sexta e retornar na próxima terça-feira (16). “Embora essa questão tenha sido efetivada ontem ao deputado Marcos Pollon, de qualquer sorte, nós teremos o cuidado de refazer novamente. Vamos encaminhar uma nova notificação ao deputado Marcos Pollon para que possa constituir defensor de sua confiança para que, de fato, possa dar andamento aos trabalhos desta comissão”, disse Freitas ao encerrar a sessão.
Motim
No processo em questão, Pollon, Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC) respondem por obstrução à cadeira do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB); e, Pollon, por sentar-se na cadeira do presidente. A medida pede a suspensão cautelar do trio por um mês.
Marcos Pollon também é julgado por declarações difamatórias contra o presidente da Câmara, as quais correspondem a três meses de suspensão.
Numa das explicações acerca do motim, Pollon, em redes sociais, disse que é autista — condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento. Ele sustentou, ainda, que, por ser autista, não entendeu o que estava acontecendo quando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tentava recuperar sua cadeira durante a sessão que pôs fim à obstrução ao Congresso.













