Senador lembrou ‘malfeitos’ de Maduro, mas classificou como preocupante interferência dos EUA sobre outro país
Presidente dad CRE (Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional) no Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS) disse que conversou, por videochamada, com a vice-presidente da comissão, senadora Tereza Cristina (PP-MS) e outros parlamentares do colegiado.
“Comissão está com o radar ligado. Vamos aguardar os desdobramentos e, se houver necessidade, estamos prontos para nos reunirmos presencialmente. Até porque, existem brasileiros na Venezuela e temos faixa de fronteira extensa com esse país”, informou o parlamentar em entrevista nesta segunda-feira (5) a Veja.
Na madrugada do sábado, ação militar dos EUA invadiu e capturou o ditador venezuelano Nicolas Maduro e sua esposa. Os dois estão em Nova Iorque, onde serão julgados por acusações de narcotráfico e terrorismo.
Além de Tereza Cristina, Trad disse que conversou com os senadores General Mourão (Republicanos-RS), Espiridião Amim (PP-SC), Chico Rodrigues (PSB-RR) e Sérgio Moro (União-PR).
Nelsinho condena as práticas adotadas por Maduro na Venezuela, desde acusações de tomar o poder ao perder as eleições até a crimes. “Parece que levou a eleição na mão grande. Quando começa errado, com perseguições, presos políticos, censura à imprensa e cidadãos fugindo do seu país, não tem como terminar bem. É uma tragédia de crônica previamente anunciada”, ressaltou Trad.
No entanto, o parlamentar discorda sobre esse tipo de interferência. “Ninguém [dos senadores da CRE] concorda com a interferência de um país diante do outro usando a força. O direito internacional não tem capítulo nesse sentido. Mas que sirva de lição para que outros países não sigam esse caminho [adotado por Maduro], pois o recado foi dado de forma clara”, finalizou.
Confira a nota na íntegra emitida pelo CRE:
“A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal acompanha com especial atenção a situação na Venezuela. É motivo de grande preocupação, em particular, a situação dos brasileiros que se encontram em território venezuelano e os impactos imediatos nas regiões fronteiriças com o Brasil.
A rapidez da ação militar realizada hoje em território venezuelano levanta questionamentos legítimos sobre possível conivência interna. Vale lembrar o histórico amplamente conhecido do regime de Nicolás Maduro: destruição das instituições democráticas, repressão a opositores, prisões políticas e graves acusações de vínculos com o crime organizado.
A CRE está ciente de que os eventos estão em desenvolvimento e terão consequências de curto, médio e longo prazos.
Neste momento, é importante aguardar as manifestações oficiais dos Estados Unidos, inclusive o pronunciamento ou coletiva de imprensa do presidente norte-americano, previsto para as 13h no horário de Brasília. Também se deve esperar o posicionamento oficial do governo brasileiro, que convocou reunião de emergência para tratar do assunto. A Comissão tem acompanhado também com preocupação as manifestações de grandes potências ou países considerados aliados do governo de Nicolás Maduro, como China, Irã e Rússia.
Defesa da democracia e o enfrentamento ao narcotráfico não autorizam a banalização do uso da força contra a soberania de um país e devem observar os marcos do Direito Internacional e os princípios da Organização das Nações Unidas.
Na condição de presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e da Comissão Temporária Externa para interlocução sobre as relações econômicas bilaterais com os EUA (CTEUA), defendo, se for necessária, a convocação imediata de reuniões extraordinárias da Comissão Representativa do Congresso Nacional e da CRE durante o recesso parlamentar.
Nelsinho Trad
Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal”
Maduro e esposa são levados de helicóptero a tribunal de Nova York

O ditador venezuelano Nicolás Maduro e a esposa dele, Cilia Flores, deixaram o Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York, na manhã desta segunda-feira (5).
Eles saíram do local escoltados, foram colocados em um carro e, em seguida, entraram em um helicóptero. A aeronave pousou em um heliponto, perto do Tribunal Distrital Federal do Sul de Nova York, corte federal onde ele e a esposa devem ser apresentados diante de um juiz, nesta segunda-feira.
Após descer do helicóptero, os dois foram colocados em um veículos blindados. A escolta de Maduro e da esposa é feita por soldados da Swat, polícia de elite dos EUA.
Expectativa é de que Maduro e a esposa, Cilia Flores, se declarem inocentes, segundo a imprensa norte-americana. Assim, o juiz ordenará que eles sigam presos até o julgamento.
Julgamento sobre o caso pode demorar mais de um ano, segundo o jornal The New York Times. Essa projeção é comum para casos do tipo, mas pode variar pelo caráter atípico.













