8 em cada 10 reajustes salariais superaram a inflação no Brasil em 2025, aponta Dieese (Foto: Agência Brasil )

Levantamento indica ganho real médio de 0,87% acima do INPC, mas resultado ficou abaixo do registrado em 2023 e 2024; setor de serviços liderou as altas

Oito em cada dez reajustes salariais negociados no Brasil em 2025 ficaram acima da inflação, garantindo aumento real no rendimento dos trabalhadores. Apesar do resultado positivo, o ganho médio foi menor do que o registrado nos dois anos anteriores, indicando uma leve desaceleração no avanço do poder de compra.

As informações constam em um levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), que comparou os reajustes salariais à inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), indicador oficial usado como referência em negociações coletivas.

Segundo o estudo, a variação real média dos salários em 2025 ficou em 0,87% acima da inflação. O percentual representa uma melhora em relação ao período entre 2018 e 2022, quando os trabalhadores tiveram perdas ou ganhos bastante limitados. Entre 2020 e 2022, por exemplo, o poder de compra acumulou queda de 1,72%, refletindo um cenário de inflação elevada e negociações menos favoráveis.

Ganho real desacelera em relação aos anos anteriores

Embora a maioria das negociações tenha garantido aumento acima do custo de vida, o resultado de 2025 ficou abaixo do desempenho recente. Em 2024, o ganho real médio havia sido de 1,25%, enquanto em 2023 chegou a 1,70%.

O histórico recente apresentado pelo Dieese mostra a seguinte evolução dos reajustes salariais em relação à inflação:

  • 2025: 0,87%
  • 2024: 1,25%
  • 2023: 1,70%
  • 2022: -0,68%
  • 2021: -0,90%
  • 2020: -0,14%
  • 2019: 0,22%
  • 2018: 0,75%

Mesmo com a queda em comparação a 2023 e 2024, o Dieese avaliou que o movimento não indica uma mudança estrutural nas negociações. “A piora [em 2025] não é significativa a ponto de indicar mudança no comportamento das negociações coletivas, o qual se mantêm em padrão favorável desde 2023”, afirmou o departamento.

INPC foi de 3,9% e segue como referência para reajustes

Para calcular o ganho real, o Dieese utilizou como base o INPC, que fechou 2025 com inflação acumulada de 3,9%. O índice mede a variação do custo de vida de famílias com renda mensal de um a cinco salários mínimos, grupo mais impactado por aumentos em itens essenciais.

Já o IPCA, indicador mais usado como referência geral da inflação no país, encerrou o ano passado em 4,26%. Diferentemente do INPC, ele reflete o consumo de famílias com renda de até 40 salários mínimos.

Por ter maior peso de produtos básicos, o INPC é considerado mais adequado para acordos trabalhistas e é utilizado oficialmente em reajustes de salários, aposentadorias e valores ligados à cesta básica.

Setor de serviços teve maior ganho acima da inflação

O levantamento também apontou diferenças relevantes entre setores da economia. O segmento de serviços registrou o melhor desempenho em 2025, com variação real média de 0,94% acima da inflação, liderando os ganhos obtidos nas negociações.

No outro extremo, o comércio apresentou a menor variação real média, com 0,70% acima da inflação, embora ainda mantendo reajustes positivos em termos reais.

O resultado de 2025 confirma a tendência iniciada em 2023 de retomada do poder de compra, ainda que em ritmo menor, com negociações coletivas preservando ganhos acima da inflação para a maioria dos trabalhadores brasileiros.