EMS planeja lançar genérico do Ozempic no Brasil até setembro (Foto: Reuters/George Frey)

Farmacêutica aguarda autorização sanitária e prevê medicamento até 20% mais barato que o produto de referência no mercado brasileiro

A farmacêutica brasileira EMS planeja colocar no mercado, até setembro, um medicamento concorrente do Ozempic, utilizado no tratamento de diabetes e obesidade. O lançamento depende da autorização sanitária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cuja decisão é aguardada pela empresa nas próximas semanas.

Segundo o vice-presidente da EMS no Brasil, Marcus Sanchez, a expectativa é que a aprovação regulatória ocorra dentro de cerca de 60 dias. Caso o cronograma se confirme, a companhia iniciará o processo de distribuição para disponibilizar o produto no país ainda no segundo semestre.

“Nós estamos aguardando o registro, a autorização sanitária da Anvisa, que deve sair nos próximos 60 dias, e a partir daí a gente tem mais um período para colocar esse produto no mercado. Se a data se materializar, em setembro chegamos com o concorrente do Ozempic no mercado”, afirmou Sanchez.

A estratégia da empresa ocorre em um momento de mudança no mercado farmacêutico, com a expectativa de queda da patente da semaglutida, substância ativa presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy. Com o fim da exclusividade, outras companhias passam a ter a possibilidade de produzir versões semelhantes, desde que obtenham autorização da Anvisa.

Investimento de longo prazo

De acordo com Sanchez, a EMS iniciou há cerca de 12 anos investimentos para desenvolver tecnologia própria voltada às chamadas canetas de GLP-1, utilizadas no tratamento da obesidade e do diabetes. O total aplicado ao longo desse período alcança cerca de R$ 1,2 bilhão.

“Foi uma opção nossa, embora, é óbvio, não soubéssemos que esse mercado seria tão grande”, disse o executivo.

Atualmente, a empresa já comercializa no Brasil medicamentos baseados em liraglutida, princípio ativo presente no tratamento conhecido comercialmente como Saxenda.

Mercado em expansão

O vice-presidente da EMS avalia que ainda é difícil estimar o tamanho do mercado brasileiro para medicamentos desse tipo. Isso ocorre porque o tratamento pode atender diferentes perfis de pacientes, incluindo pessoas com obesidade e indivíduos com diabetes.

Além disso, trata-se de terapias que frequentemente exigem uso contínuo. O próprio executivo relatou experiência pessoal com esse tipo de medicamento, afirmando ter perdido 35 quilos durante o tratamento.

“Se você fizer uma mudança de vida radical, você até consegue deixar a caneta, mas sabemos que apenas cerca de 10% dessa população consegue isso. Então, estamos falando de um produto de uso contínuo”, declarou.

Preço mais baixo

A EMS prevê que sua versão do medicamento seja lançada com preço cerca de 20% inferior ao produto de referência. A empresa também acredita que o valor poderá cair ainda mais ao longo do tempo.

Segundo Sanchez, fatores como maior concorrência, redução no custo da matéria-prima e ajustes no processo produtivo tendem a pressionar os preços para baixo. A própria companhia estima que a redução possa alcançar até 35% no futuro.

Estratégia empresarial

Recentemente, a EMS anunciou a aquisição da Medley, fabricante de medicamentos genéricos que pertencia à farmacêutica francesa Sanofi. A operação ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Hoje, a empresa mantém um equilíbrio em seu faturamento entre medicamentos genéricos e produtos vendidos sob prescrição médica. De acordo com Sanchez, a incorporação da Medley pode ampliar a participação dos genéricos, mas o lançamento das canetas de GLP-1 tende a compensar esse movimento.

“Passando o Cade, a participação de genéricos [no faturamento] será um pouco maior, mas, com o lançamento das canetas de GLP-1, esse equilíbrio deve voltar”, afirmou.

A marca EMS registra faturamento anual de cerca de R$ 7 bilhões, enquanto o grupo empresarial soma aproximadamente R$ 10 bilhões. O setor farmacêutico brasileiro, por sua vez, vem registrando forte crescimento, impulsionado pela demanda crescente por tratamentos voltados ao controle de peso e diabetes.