Deputada estadual Gleice Jane (PT). (Nathalia Alcântara, Midiamax)

A deputada classificou como descaso o afastamento remunerado

A deputada estadual Gleice Jane (PT) apresentou moção de repúdio e apoio às vítimas de assédio no serviço público de Mato Grosso do Sul durante sessão na Assembleia Legislativa nesta terça-feira (24).

A parlamentar criticou a concessão de férias ao delegado e ex-vereador Wellington de Oliveira após denúncias de assédio moral e sexual feitas por alunas da Acadepol (Academia da Polícia Civil).

O caso soma-se a recentes escândalos envolvendo os também ex-parlamentares Paulo Lands e Sandro Benites, em Campo Grande.

No discurso, a deputada classificou como descaso o afastamento remunerado do suspeito em vez da abertura imediata de investigação rigorosa.

“É por isso que nós apresentamos aqui, na Assembleia, um tempo atrás, um projeto de lei que tivesse como obrigação a capacitação e formação de quem trabalha no serviço público para a gente evitar esse tipo de situação de assédio às mulheres, de violência às mulheres que trabalham dentro do espaço público. Mas o nosso projeto foi considerado inconstitucional. Está aí a situação que a gente vivencia hoje. Inconstitucional formar homens para que respeitem as mulheres”, lamentou a parlamentar.

Para Gleice, a manutenção de estruturas que priorizam o resguardo político em detrimento da segurança das vítimas contribui para que o Estado apresente índices alarmantes de violência de gênero.

Ela mencionou que o ex-vereador Wellington de Oliveira teria utilizado sua influência política para desencorajar denúncias. A capital sul-mato-grossense ainda registrou recentemente a denúncia contra o ex-secretário da Juventude Paulo Lands, por assédio sexual e estupro de vulnerável contra um funcionário de 22 anos, além da acusação de violência doméstica contra o ex-titular da Funesp (Fundação Municipal de Esportes) Sandro Benites.

A moção protocolada pela deputada busca formalizar o posicionamento do Legislativo contra a impunidade e o silêncio institucional.

Gleice Jane enfatizou que a maioria masculina na composição da Assembleia Legislativa e nos espaços de poder amplia a responsabilidade dos parlamentares homens no enfrentamento a esses crimes.

A Corregedoria da Polícia Civil e a Prefeitura de Campo Grande acompanham os desdobramentos dos casos citados. No caso dos secretários municipais, eles foram exonerados a pedido.