Após décadas de reclamações, períodos de desabastecimento e protestos de moradores, as aldeias Bororó e Jaguapiru, em Dourados, deram um passo importante para a ampliação do abastecimento de água. O Governo de Mato Grosso do Sul homologou as licitações para a perfuração de dois superpoços, investimento que se aproxima de R$ 9 milhões.

Os avisos de homologação foram publicados nesta quinta-feira (25/6), no DOE (Diário Oficial do Estado), tendo como empresa responsável pelas obras, a EBS Empresa Brasileira de Saneamento Ltda., vencedora das duas concorrências públicas.

Cada contrato possui valor de R$ 4.492.322,53, totalizando R$ 8.984.645,06. As obras representam a primeira etapa de um projeto mais amplo, que prevê a implantação de novos sistemas de abastecimento para atender as duas comunidades indígenas.

A proposta é considerada estratégica diante da dimensão das aldeias Bororó e Jaguapiru, que abrigam mais de 25 mil moradores e formam a maior reserva indígena urbana do país. Se fossem um município independente, estariam entre as cidades mais populosas do estado.

Os poços terão capacidade superior aos sistemas convencionais e foram projetados para atender a uma demanda semelhante à de um centro urbano de médio porte. O projeto também prevê futuramente redes de distribuição, reservatórios e milhares de ligações domiciliares.

Embora a homologação represente um avanço, a etapa atual contempla apenas a perfuração dos poços. A implantação completa da infraestrutura necessária para levar água às residências ainda depende das próximas fases do empreendimento.

Problema histórico

A falta de água nas aldeias é uma das principais reivindicações das comunidades indígenas de Dourados. Em diversos períodos do ano, moradores convivem com interrupções no abastecimento, armazenamento improvisado e dificuldades para atividades básicas do dia a dia.

Além dos impactos na rotina das famílias, o armazenamento inadequado de água em recipientes improvisados também foi apontado por autoridades de saúde como um dos fatores que favoreceram a proliferação do mosquito transmissor da chikungunya nas comunidades.

Próximos passos

Com a homologação concluída, o estado poderá avançar para a assinatura dos contratos e a emissão das ordens de serviço, permitindo o início das obras.

O projeto completo de abastecimento das aldeias foi apresentado neste ano e está estimado em aproximadamente R$ 50 milhões. A proposta prevê dois sistemas independentes de captação, reservação e distribuição, além de cerca de seis mil ligações domiciliares.

Para milhares de famílias indígenas que convivem há anos com torneiras secas e abastecimento irregular, a perfuração dos superpoços representa, pela primeira vez, a perspectiva concreta de uma solução estrutural para um dos problemas mais antigos das aldeias de Dourados.