Alcides Bernal, quando chegava para audiência, no dia 27 de maio (Foto: Clara Farias/Campo Grande News)

O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, de 60
anos, infartou na manhã desta quarta-feira (1º) no Presídio Militar, onde está
preso por assassinato. Socorrido para a Santa Casa, ele está em estado grave e
passará por cirurgia ainda hoje.

De acordo com o portal Campo Grande News, o ex-prefeito
já passou por cateterismo, mas precisará da colocação de seis stents (pequenos
tubos em formato de malha colocados em veias ou artérias entupidas).

O procedimento ocorre após o exame de coronariografia
apontar quadro grave. O laudo médico indica síndrome coronariana aguda e doença
coronariana multiarterial severa, com obstruções importantes em diferentes
vasos do coração, incluindo lesões de até 90% em alguns trechos e oclusões
crônicas em outras artérias.

“O caso dele é grave, ele já tinha quatro [stents] e vai
colocar mais seis”, afirmou ao portal da Capital o advogado Oswaldo Meza, um
dos integrantes da bancada de defesa do réu pelo assassinato do fiscal
tributário estadual, Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos.

Bernal está preso desde o dia do crime, em 24 de março, e
já foi pronunciado para ir a júri popular por matar o fiscal aposentado com
dois tiros. No fim da tarde de ontem, o STJ (Superior Tribunal de Justiça)
negou o recurso da defesa que pediu para que o réu respondesse em liberdade.

Na decisão, o ministro Og Fernandes destacou laudos,
imagens e depoimentos que indicam que a vítima já estava caída no chão quando
ocorreu o segundo disparo. Conforme trecho da sentença, após o primeiro tiro,
Bernal se aproximou da vítima e disse algumas palavras que não foram
compreendidas por uma testemunha. Em seguida, efetuou um disparo na lateral
esquerda do abdômen do fiscal tributário.

O crime ocorreu quando Roberto Carlos foi ao imóvel,
adquirido por ele após retomada da Caixa Econômica Federal por dívida de
financiamento, para tomar posse da residência. Ele estava acompanhado de um
chaveiro.

A defesa alegou nulidade da prisão em flagrante, pediu
prisão domiciliar em razão de problemas cardíacos e sustenta que Bernal agiu em
legítima defesa após um mal-entendido sobre a entrada da vítima no imóvel. O
ministro rejeitou os argumentos, afirmando que não houve comprovação de doença
que impedisse o tratamento no sistema prisional. Já o Ministério Público de
Mato Grosso do Sul sustenta que o crime foi motivado pela inconformidade do
ex-prefeito com a perda da casa.