247 – O padre Júlio Lancellotti, que tem uma trajetória de décadas de apoio à população de rua de São Paulo, comentou na TV 247 o movimento de clínicas particulares de saúde do Brasil para importar doses de uma vacina desenvolvida na Índia para garantir a imunização dos ricos e da classe média que puder pagar pela substância. Enquanto isso, os dependentes do SUS aguardam uma definição do governo Jair Bolsonaro para distribuir os imunizantes gratuitamente.
O padre rememorou um dizer de Santo Tomás de Aquino para argumentar que é necessário tornar a vacina contra Covid-19 um bem público e comum, sem que ricos sejam privilegiados e nem pobres relegados. “Santo Tomás de Aquino na Suma Teológica diz que no momento de penúria e sofrimento, todos os bens se tornam coletivos, a propriedade privada cessa, e o próprio Papa Francisco disse há poucos dias que a propriedade privada não é um direito natural, que na penúria tudo se torna comum. Vergonha! Escândalo! Vergonha incrível ter a privatização da vacina pelo poderio econômico. A vacina deveria ter quebrada a sua patente e ser um bem público para a humanidade, e que nós priorizássemos a Etiópia, a Somália, os países mais pobres”.
Ele ainda criticou a tentativa de membros do Estado de furar a fila da vacinação, a exemplo dos servidores do Supremo Tribunal Federal (STF). “Acho escandaloso isso, é vergonhoso. Nós precisamos ter as prioridades dos trabalhadores da saúde, das pessoas idosas, das pessoas mais vulneráveis, dos presos, dos quilombolas, dos grupos indígenas”.
Lancellotti se disse também assustado com a magnitude do negacionismo que assola o Brasil, inclusive dentre líderes religiosos. “São muitos os desafios em um Brasil que está nesse momento com uma cara de intolerante, com uma cara de dogmatismo. Eu estou muito assustado com esse negacionismo e me espanta que muitos pastores, muitos padres estão negacionistas também, estão falando publicamente contra a vacina”.
Fonte: Brasil247