Já foram reconhecidas mais de 60 mil refugiados no Brasil, de acordo com dados contabilizados desde 1997, quando o país passou a ter uma legislação específica para o assunto.

No ano passado, mais de 3.000 pessoas foram reconhecidas como refugiadas. Desse total, 77% são venezuelanas e 11% cubanas. Do número, 50,4% são crianças e adolescentes.

A maioria dos casos é justificada como perseguição por opinião política e violação de direitos humanos.

Arte/CNN

“O Brasil, de fato, reconhece muito menos pessoas como refugiadas do que aquelas que entram com a solicitação para esse reconhecimento. Isso acontece por uma série de motivos, inclusive porque existem critérios muito rígidos para determinar se a pessoa é ou não refugiada. É importante a gente notar que porque ela não é refugiada que ela vem de uma situação de migração tranquila”, explicou Victor Del Vecchio, advogado e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP).

“Existem muitas pessoas que vêm de uma situação de migração vulnerável, que vêm de contextos de muita pobre e desestabilização social, que não necessariamente vão ter o reconhecimento do refúgio”, continuou.

Para Cleita Fernandes, vice-diretora do Instituto Adus, “falta uma parte do governo mostrar não só para a população geral e sociedade civil, mas para as empresas quem são essas pessoas que chegam no Brasil”.

De acordo com a Acunur –a agência de refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU)–, neste ano, pela primeira vez na história, o mundo chegou à marca de 100 milhões de refugiados, cerca de 11 milhões a mais do que o registrado no ano de 2021.

São pessoas forçadas a deixar tudo para trás –seus lares e lembranças– para tentar a vida em outros países, muitas vezes em situação bastante vulnerável.

A guerra na Ucrânia foi o fator principal que alavancou esse número e resultou no maior fluxo de deslocamento desde a Segunda Guerra Mundial. Foram 7 milhões de refugiados e outros 7 milhões desalojados dentro do próprio país.

Denúncias de abuso dos direitos humanos, perseguições e violência em outros conflitos armados ao redor do mundo, como no Afeganistão, SíriaVenezuela, também deixam milhares de desabrigados.

Sem contar que boa parte das pessoas em situação de refúgio do mundo é composta por crianças, que têm seus estudos e formação prejudicados, além de traumas que possivelmente vão acompanhá-las pelo resto da vida.

A Acnur cobra uma maior mobilização da comunidade internacional para responder ao que classificou como tragédia humana.

E, para 2022, lançou o tema: “seja quem for, seja quando for, seja onde for: todas as pessoas têm direito a buscar proteção”, como forma de garantir respeito e dignidade àqueles forçados a fugir.