“Doria fica maior. Os que detêm alavanca de poder, como o Doria, têm maior projeção. O Doria vem da rede social. Está tendo uma vantagem indiscutível”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso avalia que no atual momento político brasileiro o presidencialismo de coalização deu lugar a um sistema de governo compartilhado pela Câmara, Senado e pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em uma espécie de parlamentarismo branco. Para FHC, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) vem ganhando espaços durante a crise resultante da pandemia do novo coronavírus, enquanto o apresentador Luciano Huck vem encolhendo politicamente. PUBLICIDADE
“Estamos passando por uma situação curiosa politicamente no Brasil. Tínhamos um sistema baseado em coalizão, que não foi planejado pela Constituinte, mas foi acontecendo. É a coligação de vários partidos para poder governar. O presidente atual despreza os partidos, mas está acontecendo uma coisa curiosa, uma espécie de governo compartilhado. A Câmara e o Senado estão atuando mais efetivamente. O STF também. Não se sabe muito bem o que vai acontecer de tudo isso, mas há outro sistema em funcionamento que não é mais o de coalizão”, disse o ex-presidente em entrevista publicada neste domingo (19) pelo jornal O Estado de S. Paulo.
“Isso (parlamentarismo branco) está acontecendo, mas a cultura no Brasil não é parlamentarista. Desde o Império as pessoas precisam ter alguém que conduza. Elas criticam quem conduz, mas precisam de alguém para conduzir”, completou. Ainda segundo ele, o neoliberalismo está em “xeque”. “O Estado atuante e necessário, nem o mínimo nem o máximo. Na hora da crise todo mundo vira keynesiano (quem segue o economista inglês John Maynard Keynes) e quer que o governo gaste e dê dinheiro para quem não tem emprego. Aí se vê que o Estado tem uma função reparadora importante”, disse.
FHC ressaltou que “nesse momento quem está colhendo mais frutos é o Doria. O Doria tem mostrado capacidade de sobreviver na crise”. Para ele, o governador de São Paulo pode ocupar o vácuo de liderança entre os partidos de centro. “É o que ele se propõe. Fora disso, quem tem? Um projeto, que é o Luciano Huck, que nasce de um movimento fora dos partidos. Mas na crise ele não tem instrumentos de aparecer e agir. Fica menor na crise. Doria fica maior. Os que detêm alavanca de poder, como o Doria, têm maior projeção. O Doria vem da rede social. Está tendo uma vantagem indiscutível”, afirmou.
Fonte: Brasil 247













